Teste Anti-HIV anônimo e gratuito Topo da página

Se você passou por situações de risco e deseja realizar o teste anti-HIV, procure os Centros de Testagem e Aconselhamento Sorológico (COAS) do Programa Estadual DST/AIDS. No COAS qualquer cidadão pode solicitar gratuitamente e de forma anônima a sorologia para diagnóstico de infecção pelo vírus HIV, Sífilis e Hepatites B e C. Na capital, você pode realizar seu teste no Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS - Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, das 8h00 às190h00. Maiores informações pelos tel. 5087-9833 e 5087-9831 ou pelo serviço gratuito Disquem DST/AIDS: 0800.162550.

É importante saber que:

  • A decisão de fazer o teste é estritamente pessoal. Nos CTA (Centro de Testagem Anônima) ou COAS (Centro de Orientação e Apoio Sorológico) não é necessário identificar-se. O resultado do teste será comunicado exclusivamente ao usuário do serviço de testagem.
  • Peça informação e orientação ao profissional de saúde caso tenha dúvidas sobre o resultado do teste. Se der positivo, será realizado um encaminhamento médico.
  • O teste anti-HIV e os medicamentos anti-retrovirais (coquetel) são gratuitos.
Centros de Testagem e Aconselhamento Topo da página

Município de São Paulo

CRT DST/Aids. R. Santa Cruz, 81. Tel. 5087-9833 - 2ª a 6ª , 8 às 19h.
COAS Henfil. R. Líbero Badaró, 144. Tel. 3241-2224. 2ª a 6ª, 7 às 19h.
COAS I. I. Emílio Ribas. Av. Dr. Arnaldo, 165. Tel. 3061.5633. 2a, 3a, 5a, 6a, 12h30 às 15h.
COAS Lapa. R. Tomé de Souza, 30. Tel. 3832-2551. 2ª a 6ª, 7 às 19h.
COAS Pinheiros. R. Ferreira de Araújo, 789. Tel. 3813.7462. 2ª a 6a, 8 às 17h.
COAS Pirituba. Av. Paula Ferreira, 2079. Tel. 3978.1213. 2ª a 6ª, 7 às 19h.
COAS São Miguel. R. Eng. Manuel Osório, 151. Tel. 6297-6052. 2ª a 6ª, 7 às 20h.
COAS Sto Amaro. R. Promotor Gabriel Netuzzi Perez, 159. Tel. 5686-9960. 2ª a 6ª feira, 7 às 19h.

Grande São Paulo

COAS Barueri. R. Benedita Guerra Zendron, 268. Tel. 4198-4022. 2ª a 6a, 8 às 17h.
COAS Diadema. R. Felipe Camarão, 287. Tel. 4051.3792. 2ª a 6ª, 8 às 17h.
COAS Franco da Rocha. Av. Coqueiros, s/n. Tel. 4449-5111. 2ª a 6a., 7 às 18h.
COAS Itapecerica da Serra. Av. Niterói, 67. Tel. 4666-5122. 3ª 5ª, 9 às 11h.
COAS Jundiaí. R. Conde Monsanto, 480. Tel. 7396.2402. 3ª a 6ª, das 8 às 17h.
COAS Mauá. R. Prefeito Américo Pinella, 171. Tel. 4514.1692. 2ª a 6ª, 7 às 15h.
COAS Osasco. R. Getúlio Vargas, 889. Tel. 3686-4763 e 4000(policlínica). 2ª a 6a, das 7h30 às 16h30.
COAS São Bernardo do Campo. R. Armando Ítalo Setti, 402. Tel. 4125-6535. 3a, e 5a, 9 às 11h.
COAS Sto André. R. das Silveiras, 73. Tel. 4994.0835. 2a, 4a, 6a, 8h30 às 10h.
COAS Suzano. Av. Paulo Portella, 205. Tel. 4747.1741. 3ª a 6ª, das 7h30 às 10h30.

Baixada Santista

COAS Betinho/São Vicente. R. Ipiranga, 353. Tel. 13.3467.7952. 2ª a 6ª, 8 às 17h.
COAS Guarujá. Av. São João, 145. Tel. 13.3352.2666. 2ª a 6a, 8 às 14h.
COAS Praia Grande. Av. Presidente Kennedy, 2030. Tel. 13.3473.3344. 2a a 6a, 7 às 17h.
COAS Santos. Praça Rui Barbosa, 23 4º andar. Tel. 13.3219.6050. 2a a 6a, 7h30 às18h.

Interior

COAS Assis. R. Cândido Mota, 68. Tel. 18.3324-2620. 2a a 6a, 8 às 18h.
COAS Bauru. R. Quintino Bocaiuva, 545. Tel. 14. 234.5331 ou 235-1468. 2ª a 6a, 12 às 17h.
COAS Campinas. R. Pe. Vieira, 954. Tel. 19. 3236.3711. 2ª a 6a, 8 às 17h.
COAS Franca. R. Comandante Salgado, 1455. Tel. 16.3721.3744. 2a. a 6a, 7 às 13h.
COAS Jaú. Av. Zezinho de Magalhães, 1660. Tel. 14.621.2151. 2a a 6a, 7 às 17h.
COAS Marília. Rua Santo Antônio, 1669. Tel. 14.433.8002. r.217. 2ª a 6a, 7 às 17h.
COAS Ourinhos. R. Dona José Maria, 385. Tel. 14.3322.2122. 2ª a 6a, 8 às 20h.
COAS Presidente Prudente. Av. Coronel José Soares Marcondes, 2357. Tel. 18. 221.1167 - r. 240. 3ª a 5a/ 8 às 17h.
COAS Rio Claro. R. 05, 1241. Tel. 19.523.3232. 2ª a 6ª, 8 às 17 h.
COAS Ribeirão Preto. Av. Jerônimo Gonçalves, 466. Tel. 16. 610.5858. 2ª a 6a/ 7 às 16h.
COAS São José dos Campos. R. Antonio Moraes de Barros, 122. Tel. 12. 3922.9649. 2ª a 6a, 7 às 17h
COAS São José do Rio Preto. Av. Alberto Andaló, s/n. Tel. 17. 231.9939. 2ª a 6a/ 7 às 17h.
COAS Sorocaba. R. da Penha, 770. Tel. 15. 232.2200. 2ª a 6a/ / 8 às 17h.


O QUE SÃO AS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

As doenças sexualmente transmissíveis, mais conhecidas por DST, são causadas por vírus e outros micróbios e transmitidas através de relações sexuais sem preservativos

.As relações sexuais são normais e saudáveis, porém, é necessário utilizar preservativos, essa a única forma de evitar a DST.
Os portadores de doenças sexualmente transmissíveis são pessoas normais e, aparentemente, não demonstram nenhum sintoma, é comum o portador não saber que tem DST, por isso, a transmissão pode ocorrer a qualquer momento, havendo relação sexual sem camisinha.

A presença de DST pode ser notada através de sinais e sintomas que são notados somente pela própria pessoa. Os sinais são visíveis por isso são mais comuns em homens, que tem seu órgão genital exposto. As mulheres também tem sinais que, na maioria dos casos, só são vistos pelo ginecologista. Mas as DST também apresentam sintomas, que são perceptíveis tanto em homens quanto em mulheres.

SINAIS DE DST

 

SINTOMAS DE DST

Os principais SINAIS de DST aparecem normalmente nos órgãos genitais e são:

- Feridas ou úlceras - as feridas aparecem onde o micróbio da doença entrou no corpo. Assim, aparecem nos órgãos genitais ou em qualquer parte do corpo usada durante a relação sexual, podem ser ou não doloridas e nem sempre coçam ou incomodam. Podem aparecer isoladamente ou em grande número.
Vale ressaltar que as feridas aumentam o risco de adquirir outras doenças, inclusive a AIDS.

Corrimentos - os corrimentos aparecem nos órgãos genitais dos homens e das mulheres. Podem ser.

 

amarelados como pus, esbranquiçados ou esverdeados. Alguns têm cheiro forte e ruim e podem ou não causar dor durante a relação sexual ou ardência ao urinar

Já os SINTOMAS podem ser:

- Ardência ou coceira - são sintomas que aparecem ao urinar ou durante as relações sexuais. Há pessoas que apresentam os dois sintomas, outras apresentam um só, e outras que não sentem nada.
- Dor ou mal-estar - A dor ou mal-estar podem ser sentidos embaixo do umbigo, na parte mais baixa da barriga, durante asrelações sexuais ou ao urinar.


Algumas doenças apresentam sintomas específicos, para saber mais, leia o artigo

   

DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO

Para saber se você tem DST, primeiramente, fique atento aos sintomas e sinais, ardência, coceira, dor, feridas e/ou corrimentos, caso perceba a presença de algum desses sintomas ou sinais, procure um médico ginecologista ou urologista. Somente o médico é capaz de identificar a DST e indicar um tratamento eficaz.

E lembre-se, "Prevenir é melhor do que remediar", portanto, sempre que tiver uma relação sexual, use CAMISINHA.


HPV - HUMAN PAPILOMA VÍRUS - (VÍRUS DO PAPILOMA HUMANO) Topo da página

O HPV é um vírus transmitido na grande maioria das vezes pelo contato sexual. Afeta o genital tanto masculino como feminino. Ele causa uma doença chamada Condiloma, vulgarmente referida como "Crista de Galo".

Existem mais de 80 sorotipos de HPV. Enquanto alguns deles causam apenas verrugas comuns pelo corpo, outros infectam a região genital , podendo ocasionar lesões que, se não tratadas, podem se transformar em câncer genital, tanto no homem quanto na mulher.

Uma das características desse vírus é que ele pode ficar instalado no corpo humano por muitos anos sem se manifestar. Apenas em determinadas situações, como na gravidez ou quando ocorre uma queda na defesa imunológica do organismo este então surge causando lesões. Na maioria das vezes a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. Geralmente esta infecção não resulta em câncer , mas já foi constatado que a grande maioria das mulheres que tem câncer do colo uterino foram antes infectadas por este vírus. No Brasil, cerca de 7.000 mulheres morrem anualmente por este tipo de tumor.

Em seus estágios iniciais, a doença causada pelo HPV pode ser tratada com sucesso impedindo que o indivíduo tenha maiores complicações no futuro. Portanto, a melhor arma contra HPV é a prevenção, buscando-se o diagnóstico e tratamento precoces.

   

COMO SE PREVENIR?

Como em qualquer doença transmitida pelo sexo, é preciso que se tomem alguns cuidados:

- Manter adequados hábitos higiênicos;
- Ter parceiro fixo ou reduzir o número de parceiros;
- Usar preservativos em todas as relações sexuais;
- Visitar regularmente o ginecologista para manter-se em dia com a prevenção.

   

COMO POSSO SABER SE TENHO HPV?


Este vírus pode ser detectado através dos seguintes exames:

Papanicolau - é conhecido como o exame preventivo. Ele não detecta o vírus, mas sim as alterações que ele pode causar nas células.

Colposcopia - é um exame feito por aparelho chamado colposcópio, que aumenta o poder de visão do médico, permitindo identificar as lesões não visíveis ao olho nu.

Biópsia - é a retirada de um pequeno fragmento de tecido para análise.

Captura Híbrida - é o exame mais moderno para fazer o diagnóstico do HPV. A Captura Híbrida consegue diagnosticar a presença do vírus mesmo antes da paciente apresentar qualquer sintoma ou lesão. Esse é o único exame capaz de confirmar a presença do vírus mesmo na ausência de lesões.

   

POR QUE FAZER A CAPTURA HÍBRIDA?

O resultado da Captura Híbrida não mudará o tratamento, mas trará algumas informações extras para o segmento da terapêutica, pois a Captura Híbrida é capaz de dosar a quantidade de HPV na genitália bem como dizer qual o sorotipo em questão. Pode-se classificá-lo entre o sorotipo mais ou menos oncogênico (capaz de causar câncer). Por ser um exame caro e não coberto por muitos planos de saúde, sua realização ainda é opcional, apesar de recomendável.

   

COMO DEVO ME PREPARAR PARA EXAME DE CAPTURA HÍBRIDA?

- Não ter relações sexuais três dias antes do exame;
- Não estar menstruada;
- Não ter usado qualquer tipo de ducha ou creme vaginal na última semana.

   

COMO SE COLHE O MATERIAL?

O exame de Captura Híbrida é muito simples e não causa dor. Segue os mesmos procedimentos que se usa para outros exames ginecológicos. É colhido com o auxílio de uma escova que coleta amostras de secreção do colo uterino, da vagina ou vulva. Após o exame a escova é colocada em um tubo com líquido especial e enviada ao laboratório.
Também pode ser colhido pela própria mulher em casa ou no trabalho.

   

COMO É O TRATAMENTO PARA HPV?


O tratamento depende de diversos fatores tais como:
- A idade do paciente;
- O local e o número de lesões;
- Se a mulher está grávida ou apresenta alguma doença.

Após o tratamento é necessário um acompanhamento trimestral por pelo menos um ano.

Existem várias formas de tratar a infecção do HPV. A maioria delas destruirá o tecido doente:

Criocirurgia - tratamento feito com um instrumento que congela e destrói o tecido anormal.

Laser - utilizado em alguns tipos de cirurgia para cortar ou destruir o tecido onde estão as lesões.

CAF (Cirurgia de Alta Freqüência) - feito com um instrumento de alta freqüência elétrica capaz de remover e cauterizar a lesão simultânea e instantaneamente. É a mais moderna técnica de tratamento disponível no momento.

ATA (Ácido Tricloroacético) - é um ácido muito forte a ser aplicado pelo médico diretamente nas lesões.
Conização - é a retirada de uma “tampa” do colo uterino em forma de cone com auxílio do bisturi, do laser ou do CAF.
Medicamentos - em algumas situações podem-se utilizar medicamentos que melhoram o sistema de defesa do organismo.


 

SÍFILIS

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CONCEITO

A sífilis é uma doença infecciosa, sistêmica, de evolução crônica, sujeita a surtos de agudização e períodos de latência.

AGENTE ETIOLÓGICO

O Treponema pallidum é um espiroqueta de transmissão essencialmente sexual ou materno-fetal, podendo produzir, respectivamente, a forma adquirida ou congênita da doença.

CLASSIFICAÇÃO

· Sífilis adquirida recente (com menos de um ano de evolução):

primária,

secundária e

latente recente;

· Sífilis adquirida tardia (com mais de um ano de evolução):

latente tardia e

terciária;

· Sífilis congênita recente (diagnosticados até o 2º ano de vida);

· Sífilis congênita tardia (diagnosticados após o 2º ano de vida).

Sífilis Primária ou Cancro Duro

O cancro duro classicamente caracteriza-se pela presença de lesão rosada ou ulcerada, geralmente única, pouco dolorosa, com base endurecida, fundo liso, brilhante e secreção serosa escassa. A lesão aparece entre 10 e 90 dias (média de 21) após o contato infectante. É acompanhada de adenopatia regional não supurativa, móvel, indolor e múltipla. No homem aparece com maior freqüência na glande e sulco bálano-prepucial. Na mulher é mais comum nos pequenos lábios, paredes vaginais e colo uterino. São raras, porém factíveis, as lesões de inoculação em outras áreas que não a genital.

Sífilis Secundária

Geralmente caracteriza-se pela presença de lesões cutâneo-mucosas, não ulceradas, após 6 a 8 semanas do aparecimento da sífilis primária (cancro duro). As lesões são geralmente acompanhadas de micropoliadenopatia generalizada e ocasionalmente há artralgias, febrícula, cefaléia e adinamia. Mais raramente observa-se comprometimento hepático e ocular, como uveíte. Dentre estas lesões, são comuns:

· manchas eritematosas (roséolas), de aparecimento precoce, podendo formar exantema morbiliforme;

· pápulas de coloração eritemato-acastanhada, lisas a princípio, e posteriormente, escamosas, conhecidas como sifílides papulosas. A localização destas lesões nas superfícies palmo-plantares sugere fortemente o diagnóstico de sífilis secundária;

· alopécia, mais observada no couro cabeludo e nas porções distais das sobrancelhas;

· lesões elevadas em platô, de superfície lisa, nas mucosas (placas mucosas);

· lesões pápulo-hipertróficas nas regiões de dobras ou de atrito (condiloma plano).

Sífilis Latente (recente e tardia)

É a forma da sífilis adquirida na qual não se observam sinais e sintomas clínicos e, portanto, tem o seu diagnóstico feito por meio de testes sorológicos. Sua duração é variável, e seu curso poderá ser interrompido com sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Sífilis Terciária

Os sinais e sintomas geralmente ocorrem após 3 a 12 anos de infecção, principalmente por lesões cutâneo-mucosas (tubérculos ou gomas), neurológicas ("tabes dorsalis", demência), cardiovasculares (aneurisma aórtico) e articulares (artropatia de Charcot).

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Sífilis primária: cancro mole; herpes genital; donovanose; linfogranuloma venéreo.

Sífilis secundária: farmacodermias; doenças exantemáticas não vesiculosas; hanseníase virchowiana; colagenoses.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Pesquisa direta

Este exame exige técnica específica de coleta para microscopia em campo escuro. Indicado para material de lesão ulcerada suspeita, podendo também ser positivo para material do condiloma plano e das placas mucosas da fase secundária.

Sorologia não treponêmica

VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) ou RPR (Rapid Plasm Reagin), são exames qualitativos e quantitativos, sendo importantes para o diagnóstico e seguimento pós-terapêutico, devendo ser solicitados sempre que se suspeitar do diagnóstico de sífilis em qualquer de suas fases, para todos os pacientes portadores de DST e na rotina do pré-natal.

O VDRL tende a tornar-se reativo a partir da segunda semana a partir do aparecimento do cancro (sífilis primária) e, via de regra, está mais elevado na fase secundária da doença. Os títulos tendem à redução a partir do primeiro ano de evolução da doença, podendo mesmo negativar-se sem tratamento. Instituído o tratamento correto, tende a negativar-se entre 9 e 12 meses, podendo, no entanto, permanecer com títulos baixos por longos períodos de tempo ou até por toda a vida; é o que se denomina "memória" ou "cicatriz" sorológica.

Assim, títulos baixos podem representar doença muito recente ou muito antiga, tratada ou não. As dúvidas poderão ser esclarecidas pela anamnese, pelo exame físico e pela repetição periódica dos testes não treponêmicos (dois títulos baixos em intervalo de 30 dias excluem sífilis recente) ou pela realização de provas de sorologia treponêmica qualitativas; estas, se negativas, excluem sífilis em atividade; se positivas, a dúvida pode permanecer, sendo recomendável, então, repetir o tratamento.

Três títulos sucessivamente baixos (menores ou iguais a 1/8), sem qualquer indício de reinfecção, é indicativo de "memória" sorológica. O paciente poderá receber alta e deverá ser esclarecido para o fato de que por muito tempo, ou até por toda a vida, apresentará sorologia não treponêmica reativa. Desta forma, em qualquer situação, fica o serviço ou o profissional de saúde com a responsabilidade de, se necessário, emitir atestado explicando o fenômeno e a inexistência de doença ativa.

Sorologia Treponêmica

Por meio de imunofluorescência com o FTA-Abs (Fluorescent Treponema Antigen Absorvent) e o MHATP (Microhemaglutinação para Treponema pallidum), são qualitativos, e importantes para a confirmação da infecção. Desde que os anticorpos treponêmicos tendem a permanecer no soro mais longamente do que os anticorpos não treponêmicos ou lipídicos e, quando respondem à terapêutica, o fazem muito mais lentamente, não se prestam para o acompanhamento. Podem ocorrer resultados falso positivos em algumas situações, como: hanseníase, malária, mononucleose, leptospirose, lúpus eritematoso sistêmico.

TRATAMENTO

· Sífilis primária: Penicilina Benzatina 2.4 milhões U.I., via intramuscular, em dose única (1.2 milhão U.I. em cada glúteo).

· Sífilis recente secundária e latente: Penicilina Benzatina 2.4 milhões U.I., via intramuscular, repetida após 1 semana. Dose total de 4.8 milhões U.I.

· Sífilis tardia (latente e terciária): Penicilina Benzatina 2.4 milhões U.I., intramuscular, semanal, por 3 semanas. Dose total de 7.2 milhões U.I.

Após a dose terapêutica inicial, em alguns casos, poderá surgir a reação febril de Jarisch - Herxheimer, com exacerbação das lesões cutâneas, geralmente exigindo apenas cuidados sintomáticos; ocorre involução espontânea em 12 a 48 horas. Não se justifica a interrupção do esquema terapêutico. Essa reação não significa hipersensibilidade à droga, entretanto, todo paciente com sífilis submetido à terapêutica penicilínica deve ser alertado quanto à possibilidade de desenvolver tal reação.

RECOMENDAÇÕES

· Os pacientes com manifestações neurológicas e cardiovasculares devem ser hospitalizados e receber esquemas especiais de penicilinoterapia.

· Para fins operacionais, recomenda-se que os casos de sífilis latente com período de evolução desconhecido, e os portadores do HIV, sejam tratados como sífilis latente tardia.

· Os pacientes com história comprovada de alergia à penicilina (evento raro no caso da penicilina benzatina) podem ser dessensibilizados ou então receberem tratamento com estearato de eritromicina ou tetraciclina, 500 mg, V.O., de 6/6 horas, por 15 dias para a sífilis recente e por 30 dias para a sífilis tardia, e exigem estreita vigilância, pela menor eficácia destas drogas.

· Após o tratamento da sífilis, recomenda-se o seguimento sorológico quantitativo de 3 em 3 meses durante o primeiro ano e, se ainda houver reatividade em titulações decrescentes, deve-se manter o acompanhamento de 6 em 6 meses. Elevação a duas diluições acima do último título do VDRL, justifica novo tratamento, mesmo na ausência de sintomas.

· Portadores do HIV podem ter a história natural da sífilis modificada, desenvolvendo neurossífilis mais precoce e facilmente; nestes casos é indicada a punção lombar para que se possa definir o esquema terapêutico mais apropriado.

· gestante

· Tratamento: ver acima

· As gestantes tratadas requerem seguimento sorológico quantitativo mensal durante a gestação, devendo ser novamente tratadas se não houver resposta ou se houver aumento de pelo menos duas diluições na titulação.

· As gestantes com história comprovada de alergia à penicilina devem ser dessensibilizadas. Na impossibilidade, deve ser administrada a eritromicina na forma de seu estearato; ao utilizar-se esta última não se deve considerar o feto tratado.

Portador do HIV

Pacientes HIV positivos com sífilis recente, quando comparados aos HIV negativos, podem estar sob maior risco para complicações neurológicas e podem apresentar maior falha no tratamento com os esquemas recomendados. A magnitude desse risco, embora não definida precisamente, é provavelmente mínima.

Nenhum dos tratamentos recomendados para os pacientes HIV negativos, são mais eficazes na prevenção da neurossífilis em pacientes HIV positivos. Pelo exposto, esses pacientes devem ser tratados de acordo com a fase da infecção, da mesma maneira que os HIV negativos. É importante observar, entretanto, que após o tratamento, é essencial fazer-se um seguimento cuidadoso nestes pacientes.

GONORRÉIA Topo da página

Sinônimo :

Português :

Blenorréia

Alemão :

Gonorrhoe, Tripper e GO

Francês :

Gonorrhée e blenorragie

Inglês :

Gonorrhoea

  

Agente etiológico

Neisseria gonorrhoeae. Diplococos ( forma de grãos de café ) Gram negativos. No esfregaço de casos agudos encontra-se no interior das células.

Conceito

Esta é uma das mais comuns entre as doenças transmitidas sexualmente. Excepcionalmente por via indireta ( através de toalhas e esponjas úmidas infectadas ). No recém nascido blenorréia conjuntival

A gonorréia ou blenorragia é uma infecção venérea largamente difundida no mundo inteiro, provocada por um microorganismo, o gonococo, ou Neisseria gonorrhoeae. É transmitida pelas relações anais, vaginais e orais e ainda ao nascimento por uma mãe contaminada, no momento do parto.

A gonorréia é uma enfermidade altamente contagiante, com um período de incubação variante de 24 horas a algumas dias (vinte de regra, 2 a 21). Note-se, no entanto, e isto é muito importante, que há casos com período de incubação muito maior. Há, nos consultórios, pacientes contaminados pela gonorréia, com sintomas surgindo a 15 e mesmo mais dias após o coito infectante.

Se, de dois a oito dias depois da relação sexual, o homem ou a mulher começarem a sentir uma ardência e dificuldade ao urinar, provavelmente contrairam gonorréia. Eles podem notar, também, um corrimento de cor amarela ou esverdeada ou até mesmo de sangue, que sai do pênis, no caso do homem, ou pela vagina, no caso da mulher.

Se não houver tratamento, tanto no homem como na mulher, a gonorréia pode trazer sérias consequências :

- pode causar esterilidade que é a incapacidade de ter filhos

- pode atacar o sistema nervoso, causando meningitis

- pode afetar os ossos

- e até o coração

Para a mulher, torna-se mais difícil reconhecer a doença, principalmente se ela estiver com algum corrimento. Na mulher, a gonorréia pode causar outra doença que provoca uma inchação muito dolorosa nos seus orgãos sexuais externos. Essa inchação aumenta rapidamente, até começar a sair uma pus de cheiro muito forte. Com a saída do pus, a dor melhora; mas a pessoa não fica curada. Se não for feito um tratamento adequado, algum tempo depois o pus volta a se formar, a inchação retorna e a doença se agrava cada vez mais.

A gonorréia ano-retal ocorre na mulher na maioria das vezes por contaminação pela secreção vaginal; no homem, por relação anal.

Amigdalite e faringite gonocócicas : são possíveis por contatos orogenitais.

Pode ocorrer também conjuntivite gonocócica

IMPORTANTE

»» Nem tudo corrimento é sintoma de doença transmitida pelo ato sexual. Corrimentos são comuns em todas as mulheres, contudo, só o médico poderá fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado para essa doença.

ATENÇÃO!

»» Na mulher, a gonorréia raramente apresenta sinais, normalmente sendo descoberto pelo aparecimento de corrimento em seu parceiro sexual, pelo exame médico ou, então, quando provoca complicações.

»» No momento do parto, a mulher com gonorréia não tratada pode contaminar o bebê, podendo causar problemas nos olhos ( oftalmina gonocócica ) que pode levar a cegueira.

COMPLICAÇÕES

NO HOMEM : São várias as complicações a que podem levar uma blenorragia não curada ou insuficientemente tratada, como:

NA MULHER : Como no homem, a mulher pode apresentar também uma trigonite ou uma adenite inguinal. Mas as complicações mais habituais e mais sérias são expostas a seguir:

1

Esquenite : Inflamação das glândulas de Skene.

2

Bartolinite : Inflamação das glândulas de Bartholin.

3

Salpingite : Apresenta-se sob uma variedade de denominações, das quais a mais usada é "doença inflamatória pélvica", DIP. A DIP compreende as inflamações e infeções que se situam do colo do útero para cima, atingindo, portanto, o corpo do útero, as trompas, os ovários e o peritônio pélvico.

4

Septimecia gonocócica : Rara devido aos antibióticos, é a responsável por dermatites, artrites, endocardites, perihepatites, e meningites, entre outros.

5

Vulvites : Compreendem as infeções gonocócicas representadas pela bartolinite e a esquenite, bem como pela uretrite, tratando-se de uma denominação genérica para as infecções da vulva.

6

Cistite e trigonite : Ardor ou dificuldade na micção, fluxo purulento.

7

Colpite : São as afecções mais comuns da vagina, cujo epitélio não está protegido por uma camada córnea, sendo, assim, facilmente atacado pelos microorganismos patogênicos.

8

Endometrite cervical : São quase sempre provocadas pelo gonococo, que pode originar saplingites e perviperitonite, quando se propaga para cima; parametrite, quando de propagação lateral; e colpite, para baixo. A menstruação provoca uma exacerbação do processo inflamatório.

9

Doença inflamatória pélvica

10

Inflamação nas trompas

11

Incapacidade de engravidar (esterilidade )

Gonorréia em crianças

A infecção no recém - nascido surge pelo contato do nascituro com as secreções da mãe contaminada pela gonorréia. Numa menina na idade pré - pubertária, tanto a vulva como a vagina não apresentam resistência à infecção pelo gonococo, daí a facilidade de uma vulvovaginite gonocócica pelo contato com adulto infectado ou objetos contaminados, como toalhas e tampas de privada.

Tratamento

O tratamento da gonorréia, como de qualquer outra moléstia, deve ser feito sempre por médicos, visto a ingestão desordenada de antibióticos, nem sempre indicados no caso, com doses insuficientes, horários de tomada erradamente estabelecidos, etc., pode dar origem a complicações por vezes sérias, com a propagação dos gonococos para a próstata, as vesículas seminais, os epidídimos e os testículos, no homem, ou para o útero, as trompas, os ovários e os anexos, nas mulheres.
Antes de tudo, a quem deseja estar livre da gonorréia, é preciso que se previna...

Prevenção

Pessoas com apenas um parceiro sexual têm menos chances de adquirir Gonorréia. É muito importante o uso de camisinha e espermicidas. A camisinha é uma barreira entre o organismo e a bactéria causadora da Gonorréia. Os espermicidas ajudam a eliminar qualquer micro-organismo que entre em contato com eles. A melhor prevenção é que se tenha apenas um parceiro sexual fixo, e que ainda, haja o uso da camisinha e de espermicidas.

LINFOGRANULOMA VENÉREO Topo da página

Conceito

Doença infecciosa de transmissão exclusivamente sexual conhecida popularmente como "mula". Caracterizada pela presença de bubão inguinal, com período de incubação entre 3 e 30 dias.

Agente Etiológico

Chlamydia trachomatis - sorotipo L, subtipos 1, 2 e 3.

Quadro Clínico

A evolução da doença se faz em 3 fases distintas:

- Lesão de inoculação

  • Inicia-se por pápula, pústula ou exulceração indolor que desaparece sem deixar sequela;
  • Freqüentemente não é notada pelo paciente, e raramente observada pelo médico;

Localiza-se no homem: sulco coronal, frênulo e prepúcio; na mulher: parede vaginal posterior, colo uterino, fúrcula e outras partes de genitália externa.

- Disseminação Linfática Regional

No homem, a linfadenopatia inguinal se desenvolve entre 1 a 6 semanas após a lesão inicial, sendo geralmente unilateral (em 70% dos casos) e constituindo-se no principal motivo da consulta.

Na mulher, a localização da adenopatia depende do local da lesão:

  • Inoculação na genitália externa - linfonodos inguinais superficiais;
  • terço inferior da vagina - linfonodos pélvicos;
  • terço médio da vagina - linfonodos entre o reto e a artéria ilíaca interna;
  • terço superior da vagina e colo uterino - linfonodos ilíacos.

O comprometimento ganglionar evolui com supuração e fistulização por orifícios múltiplos que correspondem a linfonodos individualizados parcialmente fundidos em uma grande massa.

A lesão primária na região anal pode levar à proctite e proctocolite hemorrágica.

O contato orogenital pode causar glossite ulcerativa difusa com linfadenopatia regional.

Sintomas gerais: febre, mal-estar, anorexia, emagrecimento, artralgia, sudorese noturna e meningismo.

Sequelas:

Mais freqüente na mulher e homossexuais masculinos, devido ao acometimento do reto.

A obstrução linfática crônica leva a elefantíase genital, que na mulher é denominada estiômeno. Podem ocorrer fístulas retais, vaginais, vesicais e estenose retal.

SÍFILIS CONGÊNITA Topo da página

Conceito e Agente Etiológico

A Sífilis congênita é uma infecção causada pela disseminação hematogênica do Treponema pallidum do hospedeiro materno para o seu concepto. Sabe-se hoje que: a transmissão materna pode ocorrer em qualquer fase gestacional; a taxa de transmissão vertical da sífilis em mulheres não tratadas é de 70 a 100% durante os primeiros 4 anos em que a doença é adquirida, e que ocorre morte perinatal em 40% das crianças infectadas.

Quando a mulher adquire sífilis durante a gravidez, esta poderá evoluir para aborto, morte fetal, prematuridade, feto hidrópico, recém-nascidos sintomáticos (manifestação clássica), recém-nascidos assintomáticos (apenas sorologia positiva).

Acreditava-se que a infecção do feto por mãe sifilítica não ocorresse antes do 4º mês de gestação. Entretanto, já se constatou a presença de Treponema pallidum em dois fetos de 9 a 10 semanas de gestação. As alterações patológicas observadas na mulher grávida são as mesmas que ocorrem naquela não grávida. A sífilis congênita apresenta, da mesma forma que a sífilis adquirida, dois estágios: "precoce" quando as manifestações clínicas são diagnosticadas até o segundo ano de vida, e "tardia", após esse período.

Quadro Clínico

Considera-se como sífilis congênita recente os casos manifestados até o segundo ano de vida, e como sífilis congênita tardia, os casos manifestados após esta data.

Na maioria dos casos, a infecção congênita não produz manifestações clínicas no momento do nascimento. As manifestações clínicas mais importantes são cutâneo-mucosas, ósseas e viscerais.

Na sífilis congênita recente,a hepatomegalia e esplenomegalia estão presentes na maioria dos casos, podendo ser acompanhadas por anemia, púrpura e icterícia com grande aumento de TGO.

As lesões ósseas na maioria dos casos não apresentam sintomatologia, mas podem ser detectáveis ao exame radiológico sob o aspecto de osteocondrite, periostite ou osteíte, sem contudo serem consideradas patognomônicas da doença.

Lesões cutâneas precoces quando presentes nas nádegas podem ser responsáveis por um quadro semelhante ao de "dermatite de fraldas", da qual se diferencia também por não responder a medidas locais habitualmente eficazes.

No período neonatal, a concomitância de prematuridade, baixo peso, alterações liquóricas ou acometimento pulmonar pioram consideravelmente o prognóstico da doença.

HERPES GENITAL Topo da página

Conceito

Virose transmitida freqüentemente pelo contato sexual (inclusive oro-genital), com período de incubação de 3 a 14 dias no caso de primo-infecção sintomática. Caracteriza-se por lesões vesiculares recorrentes que, em poucos dias, transformam-se em pequenas úlceras.

Agente Etiológico

Há dois tipos de Herpesvírus hominis, 1 e 2. Ambos têm diferentes propriedades biológicas, variam quanto à composição química e podem ser diferenciados por técnicas imunológicas. Embora ambos possam provocar lesões em qualquer parte do corpo, há predomínio do Herpesvírus hominis tipo 2 nas lesões genitais.

Quadro Clínico

O herpes genital poderá ser identificado como sendo uma primo-infecção herpética (ou herpes genital primário) ou herpes recorrente.

- Herpes Genital Primário

O vírus é inoculado em superfície mucosa ou por meio de solução de continuidade da pele, podendo ou não ocasionar manifestações clínicas. Sintoma inicial: queimação ou prurido antecedendo o aparecimento das lesões. Localização da lesão: no homem, mais frequentemente na glande e prepúcio; na mulher, nos pequenos lábios, clitóris, grandes lábios, fúrcula e colo do útero. Características da lesão: inicialmente pápulas eritematosas de 2 a 3 mm, seguindo-se de vesículas agrupadas com conteúdo citrino, que se rompem dando origem a ulcerações posteriormente recobertas por crostas serohemáticas. Adenopatia inguinal dolorosa bilateral pode estar presente em 50% dos casos. As lesões cervicais uterinas, freqüentemente subclínicas, podem estar associadas a corrimento genital aquoso. No homem, não raramente, pode haver secreção uretral hialina acompanhada de ardência miccional. Podem ocorrer sintomas gerais, como febre e mal estar.

- Herpes Genital Recorrente

Acomete de 30 a 70% dos pacientes que desenvolveram a infecção genital primária. A recorrência das lesões pode estar associada a episódios de febre, exposição à radiação ultravioleta, traumatismos, menstruação, estresse físico ou emocional e a antibioticoterapia prolongada. O quadro clínico das recorrências é menos intenso que o da primo-infecção.

Gravidez

Nas gestantes portadoras de herpes simples, deve ser considerado o risco de complicações obstétricas, particularmente se a primo-infecção ocorrer durante a gravidez.

A infecção primária materna no final da gestação oferece maior risco de infecção neonatal do que o herpes genital recorrente.

As complicações do herpes na gestação são numerosas, sendo contudo pequeno o risco de contaminação fetal durante a gestação. A transmissão fetal transplacentária foi observada por Vontver em uma a cada 3.500 gestações. A infecção do concepto intra-útero nos primeiros meses da gestação culminará num grande número de abortos.

O maior risco de transmissão do vírus ao feto, se dará no momento da passagem deste pelo canal de parto, resultando em aproximadamente 50% de contaminação. Mesmo na forma assintomática, poderá haver a transmissão do vírus por meio do canal de parto. Recomendando-se, portanto, a realização de cesariana como forma de parto, toda vez que houver lesões herpéticas ativas. Esta conduta não traz nenhum benefício quando a bolsa amniótica estiver rota há mais de 4 horas.

CANDIDÍASE VULVOVAGINAL Topo da página

Conceito e Agentes Etiológicos

É uma infecção da vulva e vagina causada por um fungo comensal (Candida albicans, Candida tropicalis, Candida glabrata, Candida parapsilosis) que habita a mucosa vaginal e a mucosa digestiva, crescendo quando o habitat torna-se favorável para o seu desenvolvimento; se apresenta em duas formas: esporo e pseudo-hifa. O ato sexual já não é considerado a principal forma de transmissão, visto que esses organismos podem fazer parte da flora endógena em mais de 50% das mulheres assintomáticas. Os fatores predisponentes da Candidíase Vulvovaginal são: diabetes melitus, antibioticoterapia sistêmica, gravidez, uso de contraceptivos orais, uso de corticosteróides, imunodeficiência, obesidade, uso de roupas justas; regiões com clima quente propiciam a infecção.

Características Clínicas

Sinais e sintomas dependerão do grau de infecção e da localização do tecido inflamado, podem apresentar-se isolados ou associados e incluem:

  • prurido vulvovaginal;
  • ardor à micção;
  • corrimento branco, semelhante à nata de leite;
  • hiperemia e edema vulvar;
  • dispareunia;
  • fissuras e maceração da pele;
  • vagina e colo recobertos por placas brancas ou branco acinzentado.

DONOVANOSE Topo da página

Conceito

Doença crônica progressiva, que acomete preferencialmente pele e mucosas das regiões genitais, perianais e inguinais. A donovanose (granuloma inguinal) é freqüentemente associada à transmissão sexual, embora os mecanismos de transmissão não sejam ainda bem conhecidos. A contagiosidade é baixa. O período de incubação é de 30 dias a 6 meses. É pouco freqüente e ocorre em climas tropicais e subtropicais.

Agente Etiológico

Calymmatobacterium granulomatis, bactéria descrita pela primeira vez em 1913 por dois pesquisadores brasileiros, Aragão e Vianna.

Quadro Clínico

  • Inicia-se com ulceração de borda plana ou hipertrófica, bem delimitada, com fundo granuloso, de aspecto vermelho vivo e de sangramento fácil;
  • A ulceração evolui lenta e progressivamente podendo se tornar vegetante ou úlcero-vegetante. As lesões podem ser múltiplas, sendo frequente a sua configuração em espelho em bordas cutâneas e/ou mucosas;
  • Há predileção pelas regiões de dobras e região perianal. Não há adenite na donovanose, embora raramente possam formar-se pseudobubões (granulações subcutâneas) na região inguinal, quase sempre unilaterais;
  • Na mulher, a forma elefantiásica é observada quando há predomínio de fenômenos obstrutivos linfáticos;
  • A localização extragenital é rara e quase sempre ocorre a partir de lesões genitais ou perigenitais primárias.

Gravidez

Doença de baixa incidência em nosso meio. Não foi relatada infecção congênita resultante de infecção intra ou anteparto no feto.

HEPATITE B Topo da página

Conceito e Informações Básicas

É definida como inflamação do fígado causada por uma infecção pelo vírus da Hepatite B (HBV), um vírus DNA, da família Hepdnaviridae.

Do ponto de vista epidemiológico a transmissão sexual de agentes infecciosos causadores de hepatite ocorre mais frequentemente com os vírus das hepatites tipos A, B, C e Delta. Os tipos B e C podem evoluir para doença hepática crônica, e tem sido associados com carcinoma hepatocelular primário.

Dentre os fatores que influenciam o risco de infecção pelo HBV citamos: número de parceiros, frequencia das relações sexuais, tipo de prática sexual (oro-anal, oro-genital, relacionamento sexual ativo ou passivo), associação com uso comum de seringas e agulhas, concomitância de outras DST (sífilis, cancro mole, gonorrhea, hepes genital e/ou oral, etc.).

No Brasil, estudos de prevalência do HBV detectaram índice de infecção médio de 8,0% na região da Amazônia legal, de 2,5% nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, de 2,0% na região Sudeste e de 1,0% na região Sul.

Quadro Clínico

O período de incubação da Hepatite B aguda situa-se entre 45 e 180 dias e a transmissão é usualmente por via parenteral embora outras vias (oral, sexual e vertical) foram demonstradas.

Nos pacientes sintomáticos, a hepatite B, usualmente evolui nas seguintes fases:

  • fase prodrômica: sintomas inespecíficos de anorexia, náuseas e vômitos, alterações do olfato e paladar, cansaço, mal-estar, artralgia, mialgias, cefaléia e febre baixa;
  • fase ictérica: inicia-se após 5 a 10 dias da fase prodrômica, caracterizando-se pela redução na intensidade destes sintomas e a ocorrência de icterícia. Colúria precede esta fase por 2 ou 3 dias;
  • fase de convalescença: a sintomatologia desaparece gradativamente, geralmente em 2 a 12 semanas.

A Hepatite B pode evoluir cronicamente, o que se demonstra pelos marcadores laboratoriais, testes de função hepática e histologia anormais, e doença persistente por mais de seis meses. A Hepatite B crônica pode evoluir de forma:

  • persistente - de bom prognóstico, em que a arquitetura do lóbulo hepático é preservada.
  • ativa - caracterizada por necrose hepática, que pode evoluir para cirrose hepática ou para câncer.

URETRITE NÃO GONOCÓCICA Topo da página

Conceito

São denominadas uretrites não gonocócicas (UNG) as uretrites sintomáticas cujas bacterioscopias pela coloração de Gram e/ou cultura, são negativas para o gonococo.

A transmissão se faz freqüentemente pelo contato sexual, sendo o período de incubação, no homem, de 14 a 21 dias.

Agente Etiológico

Vários agentes têm sido responsabilizados por estas infecções, incluindo: Chlamydia trachomatis, Ureaplasma urealyticum, Candida albicans, Gardnerella vaginalis, Trichomonas vaginalis dentre outros.

A Chlamydia trachomatis é o agente mais comum de UNG. É uma bactéria, obrigatoriamente intracelular, que também causa o tracoma, a conjuntivite por inclusão do recém-nascido e o linfogranuloma venéreo.

Estima-se que dois terços das parceiras estáveis de homens com UNG hospedem a Chlamydia trachomatis no endocérvix e podem reinfectar seu parceiro sexual se permanecerem sem tratamento.

Quadro Clínico

A UNG caracteriza-se pela presença de corrimentos mucóides, discretos, com disúria leve e intermitente. A uretrite subaguda é a forma de apresentação de cerca de 50% dos pacientes com uretrite causada por C. trachomatis. Entretanto, em alguns casos, os corrimentos das UNG podem simular, clinicamente, os da gonorréia. As mulheres infectadas pela C. trachomatis transmitem a infecção, porém, raramente apresentam os sintomas típicos.

As uretrites causadas por C. trachomatis podem evoluir para: prostatite, epididimite, balanites, conjuntivites (por auto-contaminação) e a Síndrome uretro-conjuntivo-sinovial ou Síndrome de Fiessinger-Leroy-Reiter.

ESCABIOSE Topo da página

Conceito

Doença infecciosa da pele causada por um ácaro, cuja penetração na pele é visível sob a forma de pápulas ou vesículas ou de sulcos lineares diminutos que contem os ácaros e seus ovos. No homem as lesões predominam nos espaços interdigitais, na face anterior dos pulsos e cotovelos, na parede anterior das axilas, cintura, coxas e órgãos genitais externos; na mulher, nos bicos dos seios, no abdômen e na parte inferior das nádegas.

Agente Etiológico

Sarcoptes scaviei variedade hominis.

Epidemiologia

- Transmissão

Predominantemente por contato íntimo com pessoa infestada, podendo também ocorrer por meio de roupas de cama ou de uso pessoal.

-Período de incubação

Quatro a cinco semanas após a inoculação do ácaro em indivíduos não infectados anteriormente; 24 horas nos casos de reinfestação.

Quadro Clínico

  • Prurido: é de intensidade variável; geralmente mais intenso à noite ou ao amanhecer;
  • Presença de lesões eritemato - pápulo - escoriadas nas seguintes localizações: espaços interdigitais, punhos, cotovelos, axilas, abdômen, nádegas, coxas, genitais, aréolas mamárias;
  • Presença do sulco acariano em pequena proporção de casos; diminuta elevação linear com até 1 cm de tamanho; em sua porção terminal encontra-se uma vesícula esbranquiçada (eminência acariana) que contém o ácaro;
  • Escabiose nodular: localiza-se, principalmente, nas regiões genitais e perigenitais; caracteriza-se por lesões pápulo-nodulares eritemato-violáceas, intensamente pruriginosas, persistentes, às vezes, mesmo após o tratamento específico. Nas lesões não se encontram o ácaro ou seus ovos.

PEDICULOSE PUBIANA Topo da página

Conceito

Ectoparisitose conhecida há séculos, a pediculose do púbis é para alguns autores a mais contagiosa das doenças sexualmente transmissíveis. Transmite-se por meio do contato sexual, mas pode ser veiculada por meio de fômites, tais como vestuário, roupas de cama, e toalhas.

Agente Etiológico

Phthirus pubis.

Quadro Clínico

  • Os sintomas surgem de 1 a 2 semanas após a infestação ou em menor tempo, se o paciente apresentou infestação prévia pelo piolho;
  • Prurido intenso é a principal queixa do paciente;
  • O piolho adulto e as lêndeas são encontrados fixados aos pelos pubianos e também nas regiões pilosas do abdômen inferior, coxas e nádegas;
  • Ocasionalmente, o piolho adulto pode ser encontrado nas axilas, pálpebras e supercílios;
  • Lesões de urticária, vesículas e máculas pigmentadas (azuladas) podem ocorrer após as picadas dos piolhos.

MOLUSCO CONTAGIOSO Topo da página

Conceito

Doença viral da pele que produz pápulas que variam do rosa nacarado ao branco com uma depressão central. Usualmente há múltiplas lesões, mais freqüentemente na área genital (em adultos). Em crianças, a localização extragenital é mais comum.

Agente Etiológico

Poxvírus.

Epidemiologia

- Transmissão

  • Geralmente, por contato direto com pessoas infectadas; ocasionalmente, por meio de fômites;
  • Em adultos, a localização das lesões na região anogenital sugere transmissão sexual;
  • Embora as lesões contenham milhões de partículas virais, a infectividade é surpreendentemente pequena.

Período de incubação

É geralmente de 3 semanas a 3 meses após a exposição.

Quadro Clínico

- Início

Pápulas minúsculas que atingem de 3 a 6 mm de diâmetro.

- Características das pápulas

  • São semi-esféricas, isoladas e bem delimitadas, geralmente agrupadas;
  • Apresentam coloração pérola, rósea, ou igual à da pele circundante;
  • O centro é freqüentemente umbilicado e a base discretamente eritematosa;
  • É facilmente removível dando saída a material esbranquiçado que contém as partículas virais.

- Localização

  • As lesões localizam-se em qualquer área da pele e, eventualmente, em mucosas; freqüentemente na face, tronco, superfícies expostas das extremidades. Em adolescentes e adultos são mais comumente localizadas nas regiões pubiana e genitais;
  • Quando a infecção é transmitida sexualmente, as lesões geralmente limitam-se à região anogenital.

 

Doença Sexualmente Transmissíveis, Gonorréia, Clamídias, Linfogranuloma Venéreo, Cancróide, Doença Inflamatória Pélvica

Doenças Sexualmente Transmissíveis

  1. FESP – Relacione o tratamento de 1 escolha para cada uma das DSTs: cancro mole: eritromicina; donavanose: tetraciclina; sífilis: penicilina; linfogranuloma venéreo: tetraciclina; uretrite não gonocócica: tetraciclina.
  2. SC – Linfogranuloma venéreo: intradermo-reação de frei; sífilis: condiloma plano; granuloma inguinal: corpúsculos de donovan; cancróide (cancro mole): H. ducrey.

Gonorréia

  1. FESP – Adolescente com "problemas na urina". Relata múltiplos contatos sexuais desprotegidos nas últimas semanas. Achado no exame da genitália que fortalece a suspeita de blenorragia (gonorréia): descarga uretral purulenta.
  2. O gonococo é o maior causador de bartolinite aguda.
  3. TEGO - Gonorréia é Dx laboratorialmente pelo achado de diplococo Gram: negativo intracelular.
  4. Melhor exame Dx para cervicite aguda gonocócica: Gram, diplococo Gram-negativo intracelular.
  5. Meio de cultura para gonococo é: Thayer-Martim.

CLAMÍDIAS Topo da página

  1. Germe que ocorre em maior freqüência na uretrite não-gonocócica: clamídias.
  2. Um grande porcentagem de mulheres portadoras de uretrite não-gonocócica são assintomáticas.
  3. O Dx de clamídia é feito por cultura (mas é difícil dar resultados (+)).
  4. FESP - Mulher, 25 anos, manteve contato sexual e apresentou cervicite com colo hiperemiado, sangrante, friável, com pequenas ulcerações; queixou-se de disúria, incontinência urinária e Sd. uretral. O medicamento de escolha foi doxiciclina pois o agente etiológico é: Chlamydia trachomatis (é difícil gonococo fazer cervicite e a resposta a doxiciclina é pouca).
  5. O uso de tetraciclina associado a penicilina no tratamento de uretrite gonocócica deve-se a associação de clamídias a gonococos (50% dos casos).
  6. Melhor opção para o tratamento de clamídias: tetraciclinas (doxiciclina).
  7. O uso de tetraciclinas em seguida ao tratamento de uretrite gonocócica com penicilina semi-sintética é devido a associação com clamídias (50%).

Linfogranuloma Venéreo

  1. Período de incubação do linfogranuloma venéreo: 1-3 semanas.
  2. Tratamento do linfogranuloma venéreo: tetraciclina por 21 dias (causado por clamídias, parasitas intracelulares obrigatórios).
  3. Linfogranuloma venéreo pode causar estenose retal.
  4. DST que quando não tratada leva a elefantíase vulvar, fístulas do tipo "bico regador" e retite estenosante. Dx: linfogranuloma inguinal.

CANCRÓIDE Topo da página

  1. Tratamento de escolha para o H. ducrey: eritromicina.
  2. FESP – Na figura, os agentes etiológicos dessas doenças estão apresentados na seguinte seqüência: Haemophilus influenza, Herpes simplex, Treponema pallidum.

DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA Topo da página

  1. Agente etiológico mais comum na DIP: N. gonorrhoeae.
  2. USP – Pacientes de 23 anos e Dx de DIP aguda leve. Os agentes mais prevalentes são: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.
  3. SC – A salpingite gonocócica pode se estender ao ovário originando periooforite; a disseminação das endometrites por contigüidade pode causar as ooforites; a disseminação linfática ocorre nas infecções pós-parto e pós-aborto; o acometimento pélvico por via hemática ocorre na TB.
  4. A dor abdominal na salpingite é, geralmente, bilateral.
  5. Dx diferencial de DIP pélvica: ITU.
  6. Em paciente com DIP de etiologia ignorada, na fase aguda, em que não foram detectados abscessos e não há indicação de internação hospitalar. Conduta: ofloxacina + doxiciclina.
  7. USP - Mulher, 24 anos, nuligesta, com dor abdominal em FIE, febre e corrimento amarelado há 2 dias, menstruação há 7 dias. Exame: massa anexial há esquerda,  HCG (-), corrimento purulento no OCE e massa anexial esquerda com 4cm. Conduta: videolaparoscopia para Dx e tratamento, ATBs sistêmico e, se necessário, reintervenção cirúrgica após 14 dias.
  8. SC – No processo inflamatório pélvico, agudo, abscedado no fundo de saco de Douglas impõe-se: colpotomia posterior.
  9. HUEC – Abscessos tubo ovarianos: a trompa apresenta-se distendida por pus; é comum a doença contralateral; a ruptura pode levar a choque endotóxico; a evolução pode ser lenta e assintomática; para obstrução da trompa são necessários vários episódios de salpingite.
  10. DIP pélvica tem como uma das principais seqüelas graves a anexite pélvica.
  11. Cervicite crônica pode ser fator predisponente para neoplasias do colo uterino (raro).
  12. Sd Fitz-Hugh-Curtis (peritonite por gonococo) pode ser complicação de salpingite gonocócica.
  13. FESP - Nesta figura, as setas mostram a ascensão dos germes da endocérvice para o endométrio, tubas de Falópio e peritônio na DIP (endometrite, salpingite e peritonite) que, na maioria dos casos é causada por: N. gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.


MANUAL MERCK: DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEISTopo da página

Gonorréia

É uma doença infecciosa aguda do epitélio da uretra, cérvix, reto, faringe ou olhos que pode dar origem a bacteremia e resultar em complicações metastáticas.

Etiologia e Epidemiologia

O agente causal, a Neisseria gonorrhoeae, pode ser identificado em secreções (esfregaço ou cultura) como diplococos Gram-negativos em forma de rim, intracelulares e com suas superfícies adjacentes ligeiramente côncavas.

A doença se dissemina por contato sexual. As mulheres são assintomáticas, sendo portadoras do microrganismo durante semanas ou meses e com freqüência são identificadas pela pesquisa de comunicantes sexuais. A infecção assintomática é também comum na orofaringe e reto de homossexuais masculinos, e é encontrada em uretras de homens heterossexuais.

Sintomas e Sinais

Em homens, o período de incubação é de 2-14 dias. O início se dá com leve desconforto na uretra, seguido poucas horas mais tarde por disúria e secreção purulenta. Polaciúria e urgência miccional se desenvolvem à medida em que a doença se dissemina para a uretra posterior. O exame mostra secreção uretral purulenta, verde-amarelada; as bordas do meato podem estar vermelhas e edemaciadas.

Em mulheres, o sintomas começam de 7-21 dias após a infecção. Os sintomas são leves, mas em algumas mulheres, o início pode ser intenso, com disúria, polaciúria e secreção vaginal. A cérvix e órgãos reprodutivos internos são os locais infectados mais freqüentemente, seguidos pela uretra, reto, ductos de Skene e glândulas de Bartholin. A cérvix pode estar hiperemiada e friável, com secreção mucopurulenta ou purulenta. O pus pode ser obtido da uretra por pressão contra a sínfise púbica ou a partir dos ductos de Skene ou glândulas de Bartholin. A salpingite é uma complicação comum.

Em mulheres ou homossexuais masculinos, a gonorréia retal é comum. Geralmente é assintomática em mulheres, mas desconforto perianal e secreção retal podem ocorrer. Infecção retal grave é mais comum em homossexuais masculinos. Pacientes podem notar secreção mucopurulenta recobrindo as fezes, escoriações perianais podem estar presentes e a proctoscopia pode mostrar secreção mucopurulenta na parede do reto. A faringite gonocócica está sendo Dx com maior freqüência. Embora não existam sintomas, alguns pacientes podem se queixar de dor de garganta, desconforto ao engolir e a faringe e região tonsilar podem estar hiperemiadas, às vezes com exsudato mucopurulento e com edema da úvula e pilares

Diagnóstico

O esfregaço de secreção uretral corado pelo Gram permite a rápida identificação do gonococo na maioria dos homens ( 90%). No entanto, o exame de material cervical apresenta sensibilidade de 60% em mulheres. A identificação do gonococo por culturas de exsudato genital deve ser sempre realizada para mulheres e homens com Gram uretral (-) ou duvidoso. As culturas devem ser realizadas em ambos os sexos, quando os sintomas de infecção retal ou faríngeas estiverem presentes pois o Gram não é confiável (inespecífico e insensível). Exsudatos da uretra, cérvix, reto e outros locais infectados são inoculados em meio adequado (Thayer-Martin) e incubados durante 48h.

Complicações

Em homens tratados precocemente, a uretrite pós-gonocócica é a seqüela mais comum. Freqüentemente se deve à presença de outros microrganismos (clamidias) que foram adquiridos simultaneamente com a gonorréia, mas apresentam um período de incubação mais longo e não respondem à penicilina. Secreção menos intensa ou disúria recorre 7-14 dias após o tratamento com penicilina para gonorréia. A epididemite, outra complicação importante, é unilateral; se bilateral, pode ocorrer esterilidade. A infecção vem da uretra posterior, ao longo da vas deferens, até o pólo inferior do epidídimo. O testículo fica doloroso, o epidídimo e cordão espermático ficam quentes, dolorosos e edemaciados. Pode haver hidrocele secundária. Abscessos das glândulas de Tyson e Littre, abscessos periuretrais, infecção nas glândulas de Cooper e próstata, estreitamento uretral e infecção das vesículas seminais são complicações menos comuns.

Em mulheres, a salpingite é o problema clínico mais importante. Em ambos os sexos, pode ocorrer infecção gonocócica disseminada (IGD) com bacteremia, porém é mais comum em mulheres. Na Sd. artrite-dermatite, o paciente apresenta doença febril leve, mal-estar, poliartralgias, poliartrite migratória ou algumas lesões cutâneas pustulosas, na periferia dos membros (cada sintoma está presente em 2/3 dos pacientes). A infecção genital é assintomática, mas testes bacteriológicos das secreções genitais podem demonstrar gonococos. Em 50% dos casos, o microrganismo pode crescer na corrente sangüínea (hemoculturas são (+) com freqüência maior na 1 semana) ou líquido sinovial. Pela utilização de técnicas de imunofluorescência, às vezes podem ser demonstrados gonococos no pus de lesões cutâneas. Qualquer fonte potencial de bacteremia deve ser cultivada. Pacientes com IGD quase nunca apresentam hemoculturas e culturas de líquido sinovial (+) simultaneamente. A bacteremia apresenta sérias seqüelas potenciais: pericardite, endocardite, meningite e peri-hepatite ocorrem esporadicamente.

A artrite gonocócica, uma forma mais focal de IGD, pode ser precedida por bacteremia sintomática. O início é agudo, com febre, dor intensa e limitação de movimentos (em uma única ou poucas articulações, ao contrário da IGD, que envolve múltiplas articulações). A articulação fica edemaciada e dolorosa e a pele que a recobre fica quente e hiperemiada. O líquido sinovial fica  e a aspiração produz líquido purulento ( 25.000 leucócitos), a partir do qual os gonococos podem ser isolados, corados e cultivados.

A análise deve ser feita e o tratamento introduzido imediatamente, por causa da destruição precoce das superfícies articulares da articulação. Qualquer derrame articular purulento deve ser considerado séptico e tratado até que se prove o contrário.

Tratamento

Deve sempre ser colhido sangue para exame de sífilis antes de introduzir o tratamento e o paciente deve ser cuidadosamente examinado para excluir outras DSTs. A natureza infecciosa da gonorréia deve ser explicada ao paciente, que deve se abster de atividade sexual até que a cura seja confirmada. Todos os contatos sexuais do pacientes devem ser pesquisados, examinados e receber tratamento.

A emergência de gonococos resistentes à penicilina e tetraciclina modificou os esquemas previamente recomendados, baseados em penicilina, ampicilina e tetraciclina. No entanto, infecção coexistentes por clamidia são suficientemente comuns para que se indique tratamento presuntivo com esquema prolongado de tetraciclina VO.

O CDC recomenda 1 dose única de ceftriaxona + doxiciclina como terapêutica inicial para infecções uretrais, endocervicais, faríngeas e retais. Todos os esquemas devem ser acompanhados por doxiciclina, exceto nas gestantes, que devem receber eritromicina. No caso de pacientes com gonococos sabidamente sensíveis à penicilina, pode-se usar amoxacilina VO em vez de ceftriaxona.

Para IGD, ceftriaxona. Para infecções por gonococos sabidamente sensíveis à penicilina, ampicilina é adequada. A duração do tratamento para IGD não está bem definida, mas esquemas de 3-10 dias parecem ter taxas de sucesso equivalentes. Podem ser recomendáveis culturas repetidas do líquido articular para artrite que responda lentamente.

Na artrite gonocócica, em que derrames articulares estéreis podem persistir por 7-14 dias, a adição de um AINH parece trazer benefício. Drenagem repetida é desnecessária, mas inicialmente, a articulação é imobilizada em uma posição funcional ideal. A movimentação passiva deve ser introduzida tão breve quanto possível, bem como exercícios para o grupo de quadríceps, se os joelhos estiverem acometidos. Logo que a dor ceder, exercícios mais ativos devem ser feitos. 95% dos pacientes tratados para artrite gonocócica recuperam completamente a função articular.

Infecções Sexualmente Transmitidas Por Clamidias e Ureaplasma (Uretrite Não Gonocócica; Uretrite Inespecífica)

Sintomas e Sinais

Em homens, os sintomas de uretrite aparecem de 7-28 dias após a relação sexual, com disúria e desconforto leves na uretra e uma secreção clara a mucopurulenta. Embora a secreção possa ser leve e os sintomas discretos, eles são mais acentuados pela manhã, quando as bordas do meato estão coladas com as secreções secas nas roupas íntimas. Ocasionalmente, o início é mais agudo, com disúria, polaciúria e secreção purulenta copiosa.

Proctite e faringite podem se desenvolver após contato retal e orogenital. A maioria das mulheres é assintomática, embora secreção vaginal, disúria, polaciúria, dor pélvica e dispareunia, bem como os sintomas de proctite e faringite, possam ocorrer. A cervicite com secreção amarela mucopurulenta característica pode ser vista.

Diagnóstico

O Dx se baseia na bacteriológico para excluir gonorréia em homens e outras causas de leucorréia em mulheres, inclusive HSV, tricomoníase e candidíase. Em homens, lâminas de secreção uretral coradas pelo Gram mostram muitos PMNs e algumas células epiteliais, mas nenhum microrganismo patogênico. Em casos leves, a evidência de uretrite pode necessitar de exame de urina, que mostra  5 PMN/1.000 ´campos. Se o Dx for duvidoso, o exame é feito na 1 urina da manhã. Se estiver presente infecção, geralmente um "swab" uretral fornece material suficiente para exame laboratorial para confirmar o Dx.

A C. trachomatis pode ser demonstrada em cultura em quase 50% dos casos, mas necessita de inoculação em culturas de tecidos. A introdução de anticorpos monoclonais específicos e coloração fluorescente para identificação de clamidia nas secreções genitais permite à maioria dos laboratórios Dx a C. trachomatis. Em mulheres, o Gram de uma secreção cervical purulenta mostra muitos leucócitos, mas nenhum gonococo.

Complicações

Em homens, as complicações locais incluem epididemite (especialmente em infecções por clamidia em homens  35 anos) e estenose uretral; em mulheres, bartolinite, cistos nas glândulas de Bartholin, salpingite e Sd. Fitz-Hugh-Curtis (peri-hepatite). Infecção do peritônio peri-hepático pela clamidia ou, menos comumente, o gonococo pode simular colecistite ou peritonite aguda do QSD de outras causas. A salpingite por clamidia está sendo Dx cada vez mais como uma fonte importante de morbidade e chamado a atenção para o Dx e tratamento das infecções por clamidia em mulheres. Uma complicação sistêmica grave é a Sd. Reiter, constituída por uretrite inespecífica, poliartrite e conjuntivite ou uveíte.

A oftalmia neonatorum por clamidia está sendo cada vez mais Dx em lactentes nascidos de mães com cervicite por clamidia.

Tratamento

As infecções não complicadas são tratadas com tetraciclina ou doxiciclina. Pacientes com recaída ou com complicações necessitam de tratamentos mais prolongados. Em gestantes, a eritromicina deve ser usada em vez da tetraciclina. As glândulas de Bartholin infectadas podem requerer aspiração, drenagem ou remoção cirúrgica. 20% dos pacientes apresentam uma ou mais recaídas no seguimento e necessitam de retratamento. Eles podem se tornar ansiosos e devem receber a garantia de que serão curados em algum momento. Infecções por clamidia coexistem com a gonorréia tão freqüentemente que o tratamento com doxiciclina atualmente é prática padronizada.

Se não for administrado tratamento apropriado, os sintomas cedem em 4 semanas em 60-70% dos pacientes, mas podem persistir em mulheres, provocando infecção pélvica crônica e suas seqüelas: dor, infertilidade ou gravidez ectópica.

Pacientes devem ser aconselhados a se abster da prática sexual até que o tratamento esteja completo e os sintomas tenham desaparecido. Os parceiros sexuais devem ser examinados e tratados. Pessoas tratadas devem ser acompanhadas durante 3 meses com exames clínicos regulares.

Cancróide

É uma doença aguda, localizada, contagiosa, caracterizada por úlceras genitais dolorosas e supuração de linfonodos inguinais.

Etiologia

O agente causal é o Hemophilus ducrey, um bacilo Gram-negativo. O ressurgimento do cancróide na América do Norte e a sua associação com  do risco de transmissão do HIV, o interesse por esta infecção, previamente exótica.

Sintomas e Sinais

O período de incubação é de 3-7 dias. Pápulas pequenas dolorosas rapidamente se rompem para se tornarem úlceras rasas, com bordas irregulares. Cada úlcera é rasa, não indurada, dolorosa e circundada por uma borda hiperemiada. As úlceras variam em tamanho e coalescem. Erosão fagedênica leva à destruição tecidual acentuada. Os linfonodos inguinais se tornam dolorosos,  e aderidos entre si e formam um abscesso com flutuação (bubão) na virilha. A pele sobre o abscesso pode se tornar hiperemiada e brilhante e pode se romper, formando um pertuito.

A auto-inoculação pode resultar em novas lesões. As complicações incluem fimose, estenose uretral, fístula uretral e destruição tecidual grave. O cancróide pode coexistir com outras causas de úlceras genitais.

Diagnóstico

O Dx se baseia em achados clínicos, porque a cultura do microrganismo é difícil e a flora polimicrobiana das úlceras faz com que a identificação microscópica seja incerta. No entanto, devem ser feitas tentativas para identificar o H. ducrey em substância retirada da borda das úlceras ou do pus de um bubão. A biópsia de uma borda da úlcera pode ajudar, mas as alterações são inespecíficas. Testes para afastar outras DST devem ser realizados – especialmente sífilis e HSV.

Tratamento

São recomendadas a ceftriaxona ou eritromicina. A resistência crescente às sulfonamidas e tetraciclina tornaram estas drogas menos eficazes. Bulbões devem ser aspirados, não incisionados. Todo contato sexual deve ser examinado.

Linfogranuloma Venéreo (Linfogranuloma Inguinal)

É uma doença causada por clamidia transmitida sexualmente, apresentando lesão primária, seguida por linfangite supurativa e complicações locais sérias.

Etiologia

O linfogranuloma venéreo é causado por imunotipos de Chlamydia trachomatis distintos dos que provocam tracoma, conjuntivite, uretrite e cervicite. A doença é encontrada em regiões tropicais e subtropicais.

Sintomas e Sinais

Depois de um período de incubação de 3-12 dias, forma-se uma lesão vesicular pequena, transitória, não indurada que se ulcera rapidamente, cura-se prontamente e pode passar despercebida. Geralmente, o 1 sintoma é o  doloroso, unilateral dos linfonodos inguinais, que evolui formando uma massa flutuante grande, dolorosa que se adere a tecidos profundos e inflama a pele que a recobre. Fístulas múltiplas podem se desenvolver e a secreção é purulenta ou sanguinolenta. A cura eventualmente ocorre, com formação de cicatriz, mas os trajetos fistulosos podem persistir ou recorrer.

O paciente pode referir febre, mal-estar, cefaléia, dores articulares, anorexia e vômitos. A dor lombar é comum em mulheres, em que as lesões iniciais podem ser na cérvix ou vagina e provoca  e supuração de linfáticos perirretais e pélvicos. Se a parede do reto estiver envolvida em mulheres ou homossexuais masculinos pode ocorrer proctite ulcerativa, com secreção retal purulenta e sanguinolenta.

A inflamação crônica obstrui os vasos linfáticos e leva a edema, ulcerações e formação de fístulas. Grandes massas polipóides se desenvolvem e edemas importantes podem resultar em elefantíase genital. Estenoses retais podem ser encontradas em mulheres e homossexuais masculinos.

Diagnóstico

O Dx clínico pode ser confirmado por um teste de FC, em que um título crescente de anticorpo pode ser demonstrado. Um teste de imunofluorescência para anticorpo tipo-específico, diferencia vários sorotipos. Na ausência de imunofluorescência e cultura de células, o Dx pode ser feito por Hx cuidadosa, exame clínico e presença de títulos  ou crescentes de anticorpos fixadores de complemento.

Tratamento

Doxiciclina, eritromicina ou tetraciclina são o tratamento de escolha, provocando rápida cicatrização das lesões iniciais. Bubões flutuantes devem ser aspirados, não incisionados. Abscessos e fístulas necessitam de cirurgia, mas estenoses retais podem ser dilatadas. A elefantíase é tratada por cirurgia plástica. Todos os contatos sexuais devem ser examinados e o paciente deve ser mantido em observação por 6 meses depois de um tratamento aparentemente bem-sucedido.

Granuloma Inguinal

É uma afecção granulomatosa crônica envolvendo a genitália e disseminada por contato sexual.

Etiologia

O granuloma inguinal é comum em algumas regiões tropicais e subtropicais. Acredita-se que seja provocado por bacilos Gram-negativos intracelulares encontrados em células mononucleares e conhecidos como Calymmatobacterium granulomatis (anteriormente Donovania granulomatis).

Sintomas e Sinais

O período de incubação varia de 1-12 semanas. A lesão inicial é um nódulo indolor vermelho como carne que evolui lentamente para uma massa redonda, elevada, aveludada, granulomatosa. Os locais de infecção são o pênis, escroto, virilha, coxas em homens; a vulva, vagina e períneo nas mulheres; o ânus e nádegas em homossexuais masculinos; a face em ambos os sexos. Não existe linfadenopatia e a doença se dissemina por continuidade e auto-inoculação. A evolução é lenta, mas eventualmente as lesões podem cobrir os genitais. A cicatrização também é lenta, com formação de tecido cicatricial. A infecção secundária é comum e pode provocar destruição grosseira de tecidos. A anemia, caquexia e morte podem ocorrer em casos não tratados e a disseminação hematogênica para ossos, articulações ou fígado ocorre ocasionalmente.

Diagnóstico

Lesões granulomatosas brilhantes, vermelhas são características. A confirmação Dx é feita microscopicamente pela demonstração dos corpúsculos de Donovan (bacilos intracitoplasmáticos em macrófagos) em esfregaços das bordas das lesões. As amostras de biópsia contêm muitos plasmócitos, mas poucas células mononucleares.

Tratamento

Estreptomicina, tetraciclina, eritromicina, cloranfenicol e Smx/Tmp produzem cicatrização satisfatória das lesões. O tratamento deve resultar em uma resposta em 7 dias, mas deve ser mantido durante 3 semanas ou até que as lesões estejam cicatrizadas, para as recaídas. Os contatos sexuais do paciente devem ser localizados e submetidos a exames completos. O acompanhamento depois de tratamento bem-sucedido deve ser feito durante 6 meses.


DOR NO PEITO, ANGINA E INFARTO
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O tórax, o peito, é formado por um bom número de órgãos e tecidos que podem se manifestar por sensações dolorosas. Entre as dores mais temidas, estão as chamadas dores do coração e, dentre as quais, a angina do peito e o infarto são as que motivam maiores temores por serem as mais conhecidas e consideradas como as de maior probabilidade de serem fatais.

A angina pectoris é um tipo de dor que o paciente sente no peito, braço ou nuca e que aparece com a realização de esforços ou emoções ou mesmo sem fator provocador aparente. A angina é uma dor que provoca medo, daí o nome angina, que significa medo, angor em latim. É uma dor que costuma deixar o paciente imóvel, assustado e que dura poucos segundos.

A sensação de dor na angina é provocada pela diminuição do sangue que passa pelas artérias que irrigam o músculo cardíaco. Este é um sinal de que pouco sangue está irrigando o coração durante aquele momento, geralmente, durante algum esforço. Se o esforço diminuir ou cessar, a dor pode ceder. Se a pessoa continuar no esforço e a dor persistir pode significar que a angina progrediu para um estágio mais grave da doença, qual seja o infarto do miocárdio.

A falta de sangue relativa para um órgão denomina-se isquemia. Ao chegar pouco sangue para manter uma parte do músculo cardíaco suprido de oxigênio e nutrientes, esta parte pode funcionar menos bem, com menos força e provocar a dor denominada angina. A falta total de sangue para um tecido ou órgão em poucos minutos pode significar a morte deste tecido com a perda total da sua função. Caso uma porção maior do músculo cardíaco deixa de receber sangue, o coração pode tornar-se incapaz de manter o sangue circulando e o paciente pode morrer. Se o paciente sentir dor é porque ainda existe músculo vivo, pois um músculo morto não doe. Em torno de uma parte morta do músculo cardíaco, pode haver uma parte lesada e isquêmica viável, que merece todos os esforços para ser conservada viva.

O infarto do miocárdio acontece quando uma parte do músculo cardíaco deixa de receber sangue pelas artérias coronárias que a nutrem. Esta falta de sangue leva o músculo à morte. Nessa situação clínica, a dor pode ser de maior ou menor intensidade e costuma ser acompanhada de outras manifestações:

piora e maior duração da dor,
a pressão do paciente cai,
ele sua muito, fica pálido, inquieto, tem a sensação de morte iminente;
por fim, o paciente apresenta confusão mental até a perda total da consciência e morte, caso não houver um pronto atendimento.

 

A maioria dos pacientes que morre do infarto não chega a ter atendimento médico. Existem infartos mais ou menos graves, a gravidade depende da extensão, da localização, da idade do paciente, além de outras doenças concomitantes que podem agravar a doença.

Infartos pequenos, que lesam menos músculo cardíaco têm melhor prognóstico: quanto maior a lesão do coração maior chance do paciente morrer.
Infartos que atingem regiões importantes do coração, como o local onde se geram os estímulos cardíacos e infartos que provocam arritmias, costumam ser mais graves.
Pacientes idosos de maneira geral toleram melhor um infarto do que as pessoas jovens que não desenvolveram uma circulação colateral, como os idosos onde a doença isquêmica já existe há mais tempo.
Outras doenças concomitantes, como diabete, enfisema, hipertensão arterial, podem piorar um prognóstico.

 

A grande maioria dos casos de morte súbita é provocada pelo infarto do miocárdio.

Pequena digressão histórica

Seguidamente, os médicos escutam de seus pacientes que o pai ou avô ou alguma tia morreu de angina. Ora, a angina, nos conceitos atuais, não costuma ser fatal. Há cerca de 50 anos era usual ouvirmos falar em falsa angina e verdadeira angina do peito. O infarto era considerado a verdadeira angina, a que levava à morte. Já a falsa angina era a dor passageira no peito, que poderia terminar ou não em angina verdadeira. Não se dispunha do eletrocardiograma para diferenciar as duas situações clínicas.

Hoje em dia, a falsa angina é o que denominamos somente de angina e a verdadeira angina é denominada de infarto. Se alguém disser que o avô faleceu de angina, provavelmente, tratou-se de um infarto do miocárdio. É comum as pessoas confundirem estes termos. Estas pessoas que ainda têm a angina como doença fatal podem entrar em pânico quando lhes dissermos serem portadores de angina. Sempre é bom esclarecer esta dúvida antes de assustá-los mais do que necessário.

Dor no peito não é sinônimo de doença do coração. Existem no tórax diversas estruturas que podem doer. Citam-se doenças do esôfago, do pulmão, das pleuras, da aorta, dos músculos, das costelas, das mamas e da pele. Alterações da coluna podem provocar dores no peito confundíveis com doenças do coração.

Existem dores de origem emocional, que podem ser observadas em pessoas que querem chamar a atenção. Mesmo em crianças são relatadas dores no peito, simulando situações cardíacas. Isso pode acontecer quando imitam os pais ou avós que tenham angina de peito ou tiveram infartos do miocárdio.

Sempre cabe aos médicos esclarecer as diferentes possibilidades de diagnóstico. São eles que devem orientar a investigação complementar para tirar dúvidas, porque nem toda dor no peito é angina ou infarto, nem todo infarto é precedido de angina, nem toda angina acaba em infarto do miocárdio. Para complicar, nem todo infarto doe. Não é raro um médico detectar num eletrocardiograma a cicatriz de um infarto que aconteceu e o paciente nem percebeu.

O infarto do miocárdio, uma doença, muitas vezes, fatal ou indicadora de uma vida mais breve, pode atingir as pessoas em diferentes idades, que vão desde a infância, quando é mais raro acontecer, até a idade avançada, fase mais freqüente.

Autores: Equipe ABC da Saúde

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