Meninas pobres e violentadas sexualmente são as maiores vítimas

Da Redação


 


 


A idade das crianças e adolescentes submetidos à exploração sexual em Roraima oscila entre 14 a 18 anos e tanto podem ser do sexo feminino quanto do masculino, de todas as classes sociais e etnias. Mas a grande incidência ocorre entre adolescentes do sexo feminino, provenientes das classes populares de baixa renda, que vivem em bairros chamados de ?periferia?. Os homens mais velhos são os que mais tiram proveito das meninas.


 


Segundo dados do projeto Sentinela, que integra uma rede de proteção a crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, violência física e psicológica, negligência e prostituição, no ano passado dez meninas e um menino foram atendidos vítimas de exploração sexual. Este ano, em menos de vinte dias, duas meninas foram levadas ao Sentinela.


 


Estes números situam a exploração sexual não apenas como um problema econômico, mas como uma questão cultural e política da sociedade, pois nesta relação estão implicados os valores e desejos de indivíduos socialmente construídos numa sociedade machista e consumista de imagens do corpo da mulher como objeto sexual.


 


Vergonhosamente, a exploração sexual comercial é a segunda maior incidência de crimes cometidos contra crianças e adolescentes, com 16% dos casos, perdendo apenas para o abuso sexual, que representou 77% dos 369 atendimentos realizados pelo Sentinela no ano passado.


 


As duas práticas delituosas são produto de relações sociais construídas de forma desigual e geralmente materializada contra pessoas que se encontram em alguma desvantagem física, emocional e social e estão conectadas na origem ? o ambiente doméstico e familiar ? e na sua perpetuação.


 


A psicóloga Auribete Deodato da Silva, coordenadora em exercício do programa Sentinela, conta que todos os adolescentes prostituídos foram antes vítimas de abuso sexual no seio familiar ou no ambiente doméstico. ?Em muitos casos, as próprias mães ou padrastos é quem as obriga a fazer os programas?, destacou.


 


Ela pondera que as violências intrafamiliar e extrafamiliar não são, em si, determinantes para o ingresso da criança e do adolescente nas redes de exploração sexual comercial, mas se constituem em fatores de vulnerabilidade. Neste sentido, a pobreza não só indica a exclusão social, como possibilita a inclusão de crianças e de adolescentes na prostituição.


 


A exploração sexual comercial ocorre ainda em redes de prostituição, pornografia, redes de tráfico e turismo sexual, apoiadas por facilidades como a internet e o telefone celular. Pela posição geográfica, com duas fronteiras internacionais, o Estado de Roraima é considerado integrante de uma rede de tráfico de pessoas para este fim. Mas a Polícia Federal, que tem a atribuição de investigar esse tipo de crime, só atua em casos de denúncia. A instituição não informou quantos inquéritos foram instaurados no ano passado.


 


A sexualidade mercantilizada provoca danos biológicos, psicológicos e sociais. ?As meninas perdem os sonhos, as perspectivas de casar, de ter filhos e uma família. Além disso, tem-se a ilusão do dinheiro fácil?, comenta Auribete.


 


Apesar do fascínio que a atividade exerce sobre alguns adolescentes, a exploração sexual configura-se uma transgressão legal e a violação de direitos e liberdades individuais da população infanto-juvenil, ainda que seja uma opção voluntária da pessoa que está nesta situação.


 


 Fonte: Folha da Boa Vista

 
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