Pesquisa orienta políticas para o distrito Barra-Rio Vermelho

  Pesquisa orienta políticas para o distrito Barra-Rio Vermelho  


    


Por Flávio Costa


 


Uma iniciativa da Secretária Municipal de Saúde (SMS) em conjunto com a Faculdade de Medicina (Famed), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), traçou um perfil epidemiológico do distrito sanitário Barra/Rio Vermelho. A região possui uma população de cerca de 345 mil habitantes e conta com 11 unidades de atendimento. A região delimitida pela SMS engloba ainda 70 localidades de diferentes matizes sociais, a exemplo da classe média alta de Ondina, em constrate com a população mais pobre do Vale das Pedrinhas. O resultado do trabalho do médico residente do Programa de Medicina Preventiva e Social da Ufba, Fabrício Veloso, foi apresentado em palestra realizada ontem, no pavilhão de aulas da Famed (Vale do Canela).


 


Os dados coletados por Veloso através de diversas fontes de órgãos ligados à saúde pública nas três esferas de governo (municipal, estadual e federal) demonstram que ainda há na região a ocorrência de doenças como tuberculose, meningite, diabetes e hipertensão. "Essas informações vão ajudar a traçar um quadro das medidas que devem ser adotadas na região", explicou o coordenador do distrito, Andrés Alonso. Segundo ele, muitas das patologias características do distrito ainda não eram conhecidas, "até porque as notificações não estavam organizadas".


 


No ano passado, a SMS registrou quatro de mortes por meningite viral e o total de 62 ocorrências da patologia. Foram regiostrados também 48 casos de sífilis, doença sexualmente transmissível. Em relação a Aids, de 2000 a 2005 foram notificados 105 óbitos. Já a doenças de Chagas foi responsável pela morte de 96 pessoas, só no ano de 2003. "No caso de Chagas foi uma verdadeira surpresa, mas muitos destes óbitos foram de pessoas de fora da região. Notamos que este distrito sanitário se caracteriza pela hetereogenidade da sua população, o que proporcionou algumas surpresas quando tabulamos os dados", diz Veloso, que passou três meses pesquisando.


 


Os programas de agentes comunitários e de saúde de família de responsabilidade da prefeitura abrangem, juntos, apenas 30% da população do distrito. As informações contidas no perfil dizem respeito ao atendimento prestado a este público. Mesmo baixo, o número é considerado em expansão pela Secretária Municipal de Saúde (SMS). "Se fomos observar os últimos três anos, veremos que a cobertura aumentou cerca de 50% e continua em crescimento", diz o coordenador Alonso.


 


Vacinação - Outra revelação é que, na questão da vacinação, ao contrário do que se esperava, os índices não chegam à totalidade das crianças menores de 1 ano de idade. Em média, pelo perfil, pouco mais de 80% das crianças são vacinadas. "Há que se considerar neste quesito a questão da vacinação feita nas redes privadas da região, que aumentou sua atuação nesta área, mas não temos acessos aos seus índices", afirma Veloso. Mesmo com a falta de informação da rede privada de saúde, ele considera o índice baixo para as expectativas. "Isso significa que os postos de saúde não realizam a vacinação de maneira satisfatória, podendo ainda haver superestimação do índice em cerca de 10%".


 


Na questão de mortalidade infantil, o distrito sanitário apresenta índices considerados bons. Em 2005, para cada mil crianças nascidas na região, 15,1 morriam até o primeiro ano de vida. A média geral de Salvador é de 21,1 para mil. Quanto às mortes de pessoas acima de 50 anos (índice Swarop-Vera) a ocorrência varia 75% a 78%, quando a média da capital baiana está na casa dos 63%. Casos de diabetes e hipertensão chegaram a 8.754, dentro da média soteropolitana.

 
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