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APRESENTAÇÃO DA
NOSSA CASA
Em 1993 o Instituto Beneficente "Viva a Vida" como
"CASA DE APOIO" para Mães & Filhos já
existia em termos de instalações e abrigo, embora
precário, e não era oficialmente reconhecido
pelas autoridades governamentais e oficiais, mas, as crianças
já eram uma realidade palpável em termos de
quantidade e sofrimento; com o tempo, essa quantidade foi
aumentando com as crianças enviadas pelos Serviços
Sociais do Município, dos Hospitais, dos Fóruns
da Infância e da Juventude e, inclusive de outros Estados
da União, visando, primeiramente o fator humanitário,
mas, também criando a possibilidade de continuidade
das vidas, da não desfragmentação familiar,
provendo a manutenção do vínculo mãe
e filho, dos laços de família, sempre de conformidade
com as disposições do ECA (Estatuto da Criança
e do Adolescente) procurando fornecer a ambos uma vida digna,
pois a AIDS ainda, infelizmente não tem cura.
Nossa casa começou do nada...
Éramos quatro pessoas que esperavam iniciar uma Casa
de Apoio. Quase que por acaso descobrimos uma chácara
no município de Suzano que atendia às necessidades
previstas no nosso projeto.
Era linda! Quase como uma sobreposição de cômodos
diversos, em três alas, com um vasto jardim na parte
central e uma bela piscina. Não esqueçamos um
pomar bastante variado. Tudo muito bonito. Porém pequena...
Em principio, nossa intenção de atender a tudo
e a todos se foi tornando difícil e por fim inviável.
A mistura de pessoas das mais diversas qualificações,
gêneros, tipos e outros fatores revelaram que não
seria possível dar um atendimento generalizado aos
portadores do vírus HIV, e carentes.
Haveríamos que selecionar nossos atendimentos. Então,
aí começa outro drama. Quem? Este ou aquele,
ou ainda esta ou aquela criança? Foi difícil
fazermos a opção de mudanças de sistema
de atendimento.
Homens bebem, fumam, usam drogas, rebelam-se contra seus
males e consequentemente acabam por transferir isso para os
que lhes acompanham, alegando ser impossível a vida
sem a pratica do sexo, mesmo sem amor.
Mulheres, no mais das vezes têm os mesmos problemas
dos homens, principalmente quando estão totalmente
desestruturadas em termos familiares; crianças, apenas
por serem crianças também não indicavam
a solução dos nossos problemas e do acalentar
dos nossos sonhos.
"Alea jacta est" - A sorte está lançada.
E, desde então passamos a esse tipo de atendimento,
que de inicio era destinado apenas para as mulheres soropositivas
e seus filhos, positivos ou negativos, mas, outras mulheres
viviam em situação de risco com seus rebentos,
mulheres da rua, sem teto, sem lar, com maridos esporádicos,
viciados, alcoólatras, toxicômanos e outros tipos
bastante comuns convivendo em nossas cidades. Precisavam de
apoio para não se contaminar, não contaminar
seus filhos, não verem suas filhas se prostituindo
já aos 10 ou 11 anos por um prato de comida e, também
assim se fez, e assim ainda fazemos até hoje.
Nas imediações, encontramos outra chácara,
desta vez, bem maior, com duas casas amplas, uma com quatro
dormitórios, duas grandes salas, uma cozinha e refeitório
com mais de 150 metros quadrados e outra com três dormitórios
e demais dependências. Negociação em um
dia, mudança no outro e lá estávamos
nós.
Estamos nesse local até hoje. Já esteve superlotado,
depois quase vazio, de novo lotado.
Passado algum tempo, alugamos um outro imóvel, este
em São Paulo bairro do Ermelino Matarazzo. Uma casa
enorme num local bonito e tranquilo. Chegamos a abrigar várias
crianças e mães e durante um período
foi denominada Unidade II. Infelizmente por problemas financeiros,
não conseguimos manter essa nova Unidade e tivemos
que transferir as crianças e mães para Suzano,
e, hoje esse local é utilizado como sede e escritório
administrativo.
Houvemos que refrear nossos sonhos, que estavam andando mais
à frente que nossas posses, mas, com a nova equipe,
novas idéias advirão e certamente o propósito
de acerto em menos de 24 meses será conseguido.
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