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Lipodistrofia:
saiba como prevenir e tratar |
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A lipodistrofia caracteriza-se pelas alterações
na massa corpórea em pessoas soropositivas que estão
passando pela Terapia Anti-retroviral Altamente Ativa (HAART),
também conhecida como terapia de combinação
ou coquetel.
Pode ocorrer aumento de gordura na região do abdômen/ventre
(gordura central), entre os ombros, em volta do pescoço
ou no tórax (especialmente em mulheres) ou perda de gordura
da pele, mais aparente nos braços, pernas, nádegas
e rosto, resultando em enfraquecimento da face, atrofiamento
das nádegas e veias aparentes nas pernas e braços.
Somente este tipo específico de perda de gordura está
diretamente relacionado ao HIV. O aumento de peso pode ser causado
por mudanças no metabolismo que também ocorrem
em pessoas não infectadas.
O ganho central de gordura, que também interfere na alimentação,
se dá no abdômen, tornando-o estufado e consistente.
Além disso, essas mudanças podem vir acompanhadas
por alterações no metabolismo - níveis
de gordura e açúcar no sangue - e pelo aparecimento
de pequenas alterações de gordura em algumas partes
específicas do corpo, os chamados lipomas.
As transformações na gordura do corpo não
aparecem apenas para piorar o estado de saúde do paciente
no futuro. Elas podem ser irritantes e desconfortáveis.
Mudanças persistentes no metabolismo do açúcar
e da gordura, junto com aumento da gordura central, podem aumentar
o risco de doenças cardíacas, especialmente se
estiverem associadas a outros fatores de risco como o cigarro
ou a predisposição genética. O que se deve
buscar, portanto, é qualidade de vida. |
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Prevenindo e tratando as alterações
na gordura do corpo |
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No momento, todas as estratégias
de tratamento estão baseadas em pressuposições,
já que ainda não é possível identificar
as causas reais da lipodistrofia. Existem mais evidências
de que as combinações baseadas no medicamento
D4T podem aumentar o risco de perda de gordura. Também
está claro que as pessoas que iniciam o tratamento com
uma combinação que contém inibidores da
transcriptase reversa não-análogo de nucleosídeo
(ITRNN) parecem ter menos aumento de lipídio. A lipodistrofia
pode ser adiada caso o soropositivo não inicie uma terapia
de combinação, mas o risco de não estar
passando por nenhum tratamento contra o HIV deve ser considerado,
pois é fato que a perda de gordura é mais comum
em pessoas que começam o tratamento com contagem de células
CD4 abaixo de 200. |
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Lipodistrofia e mudança
de tratamento |
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Não há uma evidência
forte vinda de grandes estudos mostrando que mudar o tratamento
com um inibidor de protease para uma combinação
sem essa classe de droga diminui a perda de gordura do corpo.
Pequenas melhoras no acúmulo de gordura abdominal apareceram
em alguns estudos pequenos, mas a taxa de perda de gordura pode
diminuir após essa mudança. Ainda é incerto
que a perda seja interrompida, ou retomada, caso haja mudança
de nucleosídeos análogos.
No entanto, alguns estudos têm mostrado que os níveis
de lipídio, glicose e insulina normalmente caem após
a mudança de um inibidor de protease para uma combinação
baseada em ITRNN, especialmente neviparina. Mas vale lembrar
que eles podem não retornar a níveis normais.
Qualquer mudança no tratamento que possa melhorar as
alterações na gordura do corpo ou os níveis
de lipídios precisa ser balanceada contra as evidências
claras de que pessoas que já usaram nucleosídeos
e atingiram carga viral indetectável e, mais tarde, mudaram
de um inibidor de protease para uma outra combinação,
correm um grande risco de aumentar a carga viral novamente.
Ou seja, se houver mudança no tratamento aumentam as
chances do vírus tornar-se resistente e, então,
estreitar as opções de tratamento no futuro. Mudar
para uma nova combinação pode significar também
o aparecimento de novos efeitos colaterais. |
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Interrupção do tratamento |
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Algumas pessoas escolhem interromper o
tratamento com o objetivo de lidar com as alterações
na gordura do corpo. No momento, não existem provas claras
de que essa opção reverteria as alterações
na gordura, mas os níveis de lipídio e insulina
poderiam ser reduzidos em poucos meses. É importante
estar ciente dos riscos de interromper o tratamento.
Se a Aids for diagnosticada antes do início da terapia
de combinação, aumentam em cinco vezes as chances
da carga CD4 cair ao nível de 200 células (o nível
de risco para doenças futuras relacionadas à Aids)
em relação aos casos em que os pacientes não
tiveram Aids ou iniciaram o tratamento com um nível maior
de células CD4. Interromper o tratamento com uma contagem
de CD4 abaixo de 200 significa correr o risco de desenvolver
doenças decorrentes da Aids imediatamente. Além
disso, reiniciar o tratamento com a mesma droga pode não
funcionar.
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Tratando o ganho de gordura |
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Atualmente, não existe um tratamento
que reverta todas as alterações na gordura do
corpo. Algumas pessoas que interromperam o tratamento reportam
melhoras, mas não voltam ao normal. Mudanças na
dieta não apresentaram melhoras nas alterações
de gordura no corpo; logo, comer menos parece não ajudar
(mas isso pode contribuir para a redução dos níveis
de colesterol). Ainda em fase de teste clínico, o hormônio
de crescimento humano pode diminuir o acúmulo de gordura
no abdômen e nos ombros. No entanto, efeitos colaterais
como dores nas juntas, inchaço nas mãos e pés
e surgimento de diabetes têm sido observados em algumas
pessoas com lipodistrofia que receberam este tipo de tratamento.
Alguns esteróides anabólicos também estão
sendo testados para o mesmo fim. O acúmulo de gordura
na região abdominal em homens mais velhos tem sido relacionado
à queda de testosterona. Os anabolizantes encorajam o
crescimento do tecido de músculo na costa da gordura
subcutânea e isso pode aumentar a taxa de perda de gordura
no rosto e nos membros. Mas eles podem causar futuros aumentos
no colesterol e ainda danificar o fígado.
Entre as alternativas para tratar a lipodistrofia em pessoas
com HIV, a atividade física têm se mostrado uma
boa opção. Exercícios de resistência,
que definem os músculos e queimam os triglicérides
estocados na gordura do corpo, associados a exercícios
aeróbicos, ajudam a controlar essas transformações.
Além disso, ambas as atividades fazem aumentar os níveis
de colesterol HDL ("colesterol bom") e protegem contra
doenças cardíacas. O ideal é, portanto,
fazer uma combinação de exercícios aeróbicos
(queima de oxigênio) como caminhadas, natação,
ciclismo e até dança, e exercícios de resistência,
como musculação. |
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Cirurgias plásticas e procedimentos
estéticos |
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Nos casos de acúmulo de gordura,
às vezes, a troca do esquema terapêutico, quando
possível, e sempre por orientação do médico,
pode trazer melhorias, levando à diminuição
das gorduras dos seios e do abdomem. O excesso de gordura pode
também ser tratado por procedimento cirúrgico
ou lipoaspiração.
A perda de gordura da face tem sido muito valorizada ultimamente,
pois compromete a estética, leva à diminuição
da auto-estima e da qualidade de vida do paciente. No Brasil
tem sido utilizado, por cirurgiões plásticos e
dermatologistas, o implante facial com metacrilato com excelentes
resultados, levando a uma melhora do estado psicológico
do paciente.
O tratamento da perda de gordura no rosto consiste no preenchimento
das áreas atrofiadas, podendo ser utilizados materiais
preenchedores temporários ou permanentes. Os preenchimentos
temporários consistem de auto-implante de gordura, ácido
hialurônico, colágeno, e ácido polilático.
Sua duração varia de 3 a 9 meses, de acordo com
o material utilizado, e normalmente são utilizados em
casos leves, ou em áreas onde o preenchimento permanente
não pode ser utilizado.
O metacrilato, a poliacrilamida e o silicone são preenchedores
permanentes, que em vários estudos tem demonstrado trazer
melhores resultados, principalmente na relação
custo/benefício. No Brasil, o mais utilizado é
o metacrilato, pois além de se obter excelentes resultados
estéticos e duradouros com este material, ele tem um
custo menos elevado. O tratamento consiste de injeções,
feitas paralelamente nas áreas atrofiadas. É um
procedimento relativamente simples, mas que só deve ser
realizado por profissional médico experiente e capacitado.
A correção destas alterações pode
devolver ao paciente o aspecto normal, melhora sua auto-estima
e permite uma convivência social mais tranqüila. |
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Técnicas para o preenchimento
cutâneo |
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O preenchimento cutâneo é
uma técnica utilizada na cirurgia plástica para
a correção de sulcos, rugas e cicatrizes. Consiste
na injeção de substâncias sob a área
a ser tratada elevando-a e diminuindo a sua profundidade, com
conseqüente melhora do aspecto. A técnica, desenvolvida
por dermatologistas, pode ser realizada no consultório,
sendo um procedimento rápido e que não necessita
nem mesmo de anestesia. Se desejado, podem ser utilizados anestésicos
tópicos, sob a forma de cremes, aplicados uma hora antes
do procedimento, para atenuar a sensação da picada
da agulha. A técnica já é bastante utilizada
para a correção do sulco nasogeniano (aquele que
se acentua com o sorriso) ou os sulcos ao redor dos lábios.
Algumas das substâncias mais utilizadas são o ácido
hialurônico, o colágeno e o metacrilato.
O ácido hialurônico é atualmente considerado
um dos produtos mais seguros para a realização
do preenchimento cutâneo. Apesar de ser produzido em laboratório,
o ácido hialurônico é um componente natural
da derme, segunda camada da pele, não causa alergias
e dispensa testes prévios. A duração do
preenchimento varia de 6 a 10 meses (Restylane) ou 10 a 16 meses
(Perlane), sendo necessária nova aplicação
após este período.
O colágeno é obtido a partir de animais (boi e
porco) e necessita de 2 testes prévios para averiguar
possível alergia ao produto. Precisa ser reaplicado a
cada 6 meses pois também sofre reabsorção.
Já o metacrilato é um preenchedor definitivo.
Por não ser reabsorvido pelo organismo, seus resultados
são duradouros e é mais utilizado para correção
de sulcos profundos. Alguns produtos comerciais necessitam de
teste prévio por conterem pequena quantidade de colágeno
em sua fórmula.
Uma variação desta técnica é o auto-enxerto
de gordura, na qual retira-se gordura de uma área do
corpo onde esteja em excesso (através de lipoaspiração)
e injeta-se sob a ruga elevando-a. Esta, porém, já
é uma técnica mais trabalhosa que exige anestesia
e outros cuidados para a obtenção do material
gorduroso a ser injetado. Ideal para aqueles que desejam livrar-se
de gorduras extras em áreas localizadas e vão
se submeter a uma lipoaspiração. A gordura retirada
será então aproveitada para o preenchimento cutâneo.
Uma parte da gordura injetada é reabsorvida, porém
boa parte dela permanece definitivamente no local. A técnica
tem sido chamada de lipoescultura.
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Sem cobertura |
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O maior problema é que os procedimentos
para tratar a lipodistrofia ainda são considerados estéticos
e raramente são cobertos pelos planos de saúde.
Por sua vez, esse tipo de intervenção não
está disponível das unidades do Sistema Único
de Saúde que atendem Aids, com exceção
de alguns poucos protocolos clínicos no Rio e em São
Paulo. Esta é uma reivindicação antiga
das ONGs/Aids, que levaram o problema à Conferência
Nacional de Saúde, ocorrida em dezembro de 2003, conforme
consta no relatório final do evento. |
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Fontes: NAM, ONG do Reino
Unido especializada em informações sobre tratamentos
do HIV/Aids; Sociedade Brasileira de Dermatologia; Site: www.dermatologia.net
(coordenado pelo Dr. Roberto Barbosa Lima); Dr. Márcio
Serra. |
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Uso do metacrilato: além
da estética por Márcio Serra |
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A lipodistrofia caracteriza-se pelas alterações
na massa corpórea em pessoas soropositivas que estão
passando pela Terapia Anti-retroviral Altamente Ativa (HAART),
também conhecida como terapia de combinação
ou coquetel.
Pode ocorrer aumento de gordura na região do abdômen/ventre
(gordura central), entre os ombros, em volta do pescoço
ou no tórax (especialmente em mulheres) ou perda de gordura
da pele, mais aparente nos braços, pernas, nádegas
e rosto, resultando em enfraquecimento da face, atrofiamento
das nádegas e veias aparentes nas pernas e braços.
Somente este tipo específico de perda de gordura está
diretamente relacionado ao HIV. O aumento de peso pode ser causado
por mudanças no metabolismo que também ocorrem
em pessoas não infectadas.
O ganho central de gordura, que também interfere na alimentação,
se dá no abdômen, tornando-o estufado e consistente.
Além disso, essas mudanças podem vir acompanhadas
por alterações no metabolismo - níveis
de gordura e açúcar no sangue - e pelo aparecimento
de pequenas alterações de gordura em algumas partes
específicas do corpo, os chamados lipomas.
As transformações na gordura do corpo não
aparecem apenas para piorar o estado de saúde do paciente
no futuro. Elas podem ser irritantes e desconfortáveis.
Mudanças persistentes no metabolismo do açúcar
e da gordura, junto com aumento da gordura central, podem aumentar
o risco de doenças cardíacas, especialmente se
estiverem associadas a outros fatores de risco como o cigarro
ou a predisposição genética. O que se deve
buscar, portanto, é qualidade de vida.
Prevenindo e tratando as alterações na gordura
do corpo
No momento, todas as estratégias de tratamento estão
baseadas em pressuposições, já que ainda
não é possível identificar as causas reais
da lipodistrofia. Existem mais evidências de que as combinações
baseadas no medicamento D4T podem aumentar o risco de perda
de gordura. Também está claro que as pessoas que
iniciam o tratamento com uma combinação que contém
inibidores da transcriptase reversa não-análogo
de nucleosídeo (ITRNN) parecem ter menos aumento de lipídio.
A lipodistrofia pode ser adiada caso o soropositivo não
inicie uma terapia de combinação, mas o risco
de não estar passando por nenhum tratamento contra o
HIV deve ser considerado, pois é fato que a perda de
gordura é mais comum em pessoas que começam o
tratamento com contagem de células CD4 abaixo de 200.
Lipodistrofia e mudança de tratamento
Não há uma evidência forte vinda de grandes
estudos mostrando que mudar o tratamento com um inibidor de
protease para uma combinação sem essa classe de
droga diminui a perda de gordura do corpo. Pequenas melhoras
no acúmulo de gordura abdominal apareceram em alguns
estudos pequenos, mas a taxa de perda de gordura pode diminuir
após essa mudança. Ainda é incerto que
a perda seja interrompida, ou retomada, caso haja mudança
de nucleosídeos análogos.
No entanto, alguns estudos têm mostrado que os níveis
de lipídio, glicose e insulina normalmente caem após
a mudança de um inibidor de protease para uma combinação
baseada em ITRNN, especialmente neviparina. Mas vale lembrar
que eles podem não retornar a níveis normais.
Qualquer mudança no tratamento que possa melhorar as
alterações na gordura do corpo ou os níveis
de lipídios precisa ser balanceada contra as evidências
claras de que pessoas que já usaram nucleosídeos
e atingiram carga viral indetectável e, mais tarde, mudaram
de um inibidor de protease para uma outra combinação,
correm um grande risco de aumentar a carga viral novamente.
Ou seja, se houver mudança no tratamento aumentam as
chances do vírus tornar-se resistente e, então,
estreitar as opções de tratamento no futuro. Mudar
para uma nova combinação pode significar também
o aparecimento de novos efeitos colaterais.
Interrupção do tratamento
Algumas pessoas escolhem interromper o tratamento com o objetivo
de lidar com as alterações na gordura do corpo.
No momento, não existem provas claras de que essa opção
reverteria as alterações na gordura, mas os níveis
de lipídio e insulina poderiam ser reduzidos em poucos
meses. É importante estar ciente dos riscos de interromper
o tratamento.
Se a Aids for diagnosticada antes do início da terapia
de combinação, aumentam em cinco vezes as chances
da carga CD4 cair ao nível de 200 células (o nível
de risco para doenças futuras relacionadas à Aids)
em relação aos casos em que os pacientes não
tiveram Aids ou iniciaram o tratamento com um nível maior
de células CD4. Interromper o tratamento com uma contagem
de CD4 abaixo de 200 significa correr o risco de desenvolver
doenças decorrentes da Aids imediatamente. Além
disso, reiniciar o tratamento com a mesma droga pode não
funcionar.
Tratando o ganho de gordura
Atualmente, não existe um tratamento que reverta todas
as alterações na gordura do corpo. Algumas pessoas
que interromperam o tratamento reportam melhoras, mas não
voltam ao normal. Mudanças na dieta não apresentaram
melhoras nas alterações de gordura no corpo; logo,
comer menos parece não ajudar (mas isso pode contribuir
para a redução dos níveis de colesterol).
Ainda em fase de teste clínico, o hormônio de crescimento
humano pode diminuir o acúmulo de gordura no abdômen
e nos ombros. No entanto, efeitos colaterais como dores nas
juntas, inchaço nas mãos e pés e surgimento
de diabetes têm sido observados em algumas pessoas com
lipodistrofia que receberam este tipo de tratamento.
Alguns esteróides anabólicos também estão
sendo testados para o mesmo fim. O acúmulo de gordura
na região abdominal em homens mais velhos tem sido relacionado
à queda de testosterona. Os anabolizantes encorajam o
crescimento do tecido de músculo na costa da gordura
subcutânea e isso pode aumentar a taxa de perda de gordura
no rosto e nos membros. Mas eles podem causar futuros aumentos
no colesterol e ainda danificar o fígado.
Entre as alternativas para tratar a lipodistrofia em pessoas
com HIV, a atividade física têm se mostrado uma
boa opção. Exercícios de resistência,
que definem os músculos e queimam os triglicérides
estocados na gordura do corpo, associados a exercícios
aeróbicos, ajudam a controlar essas transformações.
Além disso, ambas as atividades fazem aumentar os níveis
de colesterol HDL ("colesterol bom") e protegem contra
doenças cardíacas. O ideal é, portanto,
fazer uma combinação de exercícios aeróbicos
(queima de oxigênio) como caminhadas, natação,
ciclismo e até dança, e exercícios de resistência,
como musculação.
Cirurgias plásticas e procedimentos estéticos
Nos casos de acúmulo de gordura, às vezes, a troca
do esquema terapêutico, quando possível, e sempre
por orientação do médico, pode trazer melhorias,
levando à diminuição das gorduras dos seios
e do abdomem. O excesso de gordura pode também ser tratado
por procedimento cirúrgico ou lipoaspiração.
A perda de gordura da face tem sido muito valorizada ultimamente,
pois compromete a estética, leva à diminuição
da auto-estima e da qualidade de vida do paciente. No Brasil
tem sido utilizado, por cirurgiões plásticos e
dermatologistas, o implante facial com metacrilato com excelentes
resultados, levando a uma melhora do estado psicológico
do paciente.
O tratamento da perda de gordura no rosto consiste no preenchimento
das áreas atrofiadas, podendo ser utilizados materiais
preenchedores temporários ou permanentes. Os preenchimentos
temporários consistem de auto-implante de gordura, ácido
hialurônico, colágeno, e ácido polilático.
Sua duração varia de 3 a 9 meses, de acordo com
o material utilizado, e normalmente são utilizados em
casos leves, ou em áreas onde o preenchimento permanente
não pode ser utilizado.
O metacrilato, a poliacrilamida e o silicone são preenchedores
permanentes, que em vários estudos tem demonstrado trazer
melhores resultados, principalmente na relação
custo/benefício. No Brasil, o mais utilizado é
o metacrilato, pois além de se obter excelentes resultados
estéticos e duradouros com este material, ele tem um
custo menos elevado. O tratamento consiste de injeções,
feitas paralelamente nas áreas atrofiadas. É um
procedimento relativamente simples, mas que só deve ser
realizado por profissional médico experiente e capacitado.
A correção destas alterações pode
devolver ao paciente o aspecto normal, melhora sua auto-estima
e permite uma convivência social mais tranqüila.
Técnicas para o preenchimento cutâneo
O preenchimento cutâneo é uma técnica utilizada
na cirurgia plástica para a correção de
sulcos, rugas e cicatrizes. Consiste na injeção
de substâncias sob a área a ser tratada elevando-a
e diminuindo a sua profundidade, com conseqüente melhora
do aspecto. A técnica, desenvolvida por dermatologistas,
pode ser realizada no consultório, sendo um procedimento
rápido e que não necessita nem mesmo de anestesia.
Se desejado, podem ser utilizados anestésicos tópicos,
sob a forma de cremes, aplicados uma hora antes do procedimento,
para atenuar a sensação da picada da agulha. A
técnica já é bastante utilizada para a
correção do sulco nasogeniano (aquele que se acentua
com o sorriso) ou os sulcos ao redor dos lábios. Algumas
das substâncias mais utilizadas são o ácido
hialurônico, o colágeno e o metacrilato.
O ácido hialurônico é atualmente considerado
um dos produtos mais seguros para a realização
do preenchimento cutâneo. Apesar de ser produzido em laboratório,
o ácido hialurônico é um componente natural
da derme, segunda camada da pele, não causa alergias
e dispensa testes prévios. A duração do
preenchimento varia de 6 a 10 meses (Restylane) ou 10 a 16 meses
(Perlane), sendo necessária nova aplicação
após este período.
O colágeno é obtido a partir de animais (boi e
porco) e necessita de 2 testes prévios para averiguar
possível alergia ao produto. Precisa ser reaplicado a
cada 6 meses pois também sofre reabsorção.
Já o metacrilato é um preenchedor definitivo.
Por não ser reabsorvido pelo organismo, seus resultados
são duradouros e é mais utilizado para correção
de sulcos profundos. Alguns produtos comerciais necessitam de
teste prévio por conterem pequena quantidade de colágeno
em sua fórmula.
Uma variação desta técnica é o auto-enxerto
de gordura, na qual retira-se gordura de uma área do
corpo onde esteja em excesso (através de lipoaspiração)
e injeta-se sob a ruga elevando-a. Esta, porém, já
é uma técnica mais trabalhosa que exige anestesia
e outros cuidados para a obtenção do material
gorduroso a ser injetado. Ideal para aqueles que desejam livrar-se
de gorduras extras em áreas localizadas e vão
se submeter a uma lipoaspiração. A gordura retirada
será então aproveitada para o preenchimento cutâneo.
Uma parte da gordura injetada é reabsorvida, porém
boa parte dela permanece definitivamente no local. A técnica
tem sido chamada de lipoescultura.
Sem cobertura
O maior problema é que os procedimentos para tratar a
lipodistrofia ainda são considerados estéticos
e raramente são cobertos pelos planos de saúde.
Por sua vez, esse tipo de intervenção não
está disponível das unidades do Sistema Único
de Saúde que atendem Aids, com exceção
de alguns poucos protocolos clínicos no Rio e em São
Paulo. Esta é uma reivindicação antiga
das ONGs/Aids, que levaram o problema à Conferência
Nacional de Saúde, ocorrida em dezembro de 2003, conforme
consta no relatório final do evento.
Fontes: NAM, ONG do Reino Unido especializada em informações
sobre tratamentos do HIV/Aids; Sociedade Brasileira de Dermatologia;
Site: www.dermatologia.net (coordenado pelo Dr. Roberto Barbosa
Lima); Dr. Márcio Serra.
Uso do metacrilato: além da estética por Márcio
Serra
A lipoatrofia facial continua sendo um dos mais marcantes efeitos
adversos da infecção pelo HIV e tratamento com
os anti-retrovirais. Hoje em dia sabemos, por exemplo, que os
inibidores de transcriptase reversa, principalmente a estavudina
(D4T), causam toxicidade às mitocôndrias das células
de gordura, o principal mecanismo responsável pela perda
do tecido adiposo periférico.
O uso do polimetilmetacrilato para tratamento da lipoatrofia
facial, dos pacientes infectados pelo HIV com lipodistrofia,
já apresenta cinco anos de acompanhamento e tem se mostrado
um método seguro, relativamente simples, e de melhor
relação custo benefício, quando comparado
a outros preenchedores, permanentes ou não, utilizados
para o tratamento da lipoatrofia facial, como o ácido
polilático, ácido hialurônico, poliacrilamida,
auto-transplante de gordura, e silicone (pela técnica
de micro-gotas).
Os resultados cosméticos são excelentes, mas a
grande vantagem do tratamento é que ajuda a resgatar
a auto-estima dos pacientes, que, segundo seus depoimentos,
voltam a se reconhecer ao espelho, conseguindo modificar seu
quadro psíquico e, desta forma, adquirir uma melhora
impressionante de sua qualidade de vida, acabando por auxiliar
no tratamento anti-retroviral, pois ficam mais estimulados e
passam a ter uma melhor adesão ao tratamento.
Atualmente, o Ministério da Saúde mantém
um protocolo de pesquisa para tratamento da lipoatrofia facial
com o metacrilato, do qual participará um total de 300
pacientes no Rio de Janeiro (HUCFF) e em São Paulo (HIER),
para avaliação do método e posterior extensão
do tratamento aos pacientes.
Mas, infelizmente, a lipoatrofia não ocorre somente na
face, e a cada dia os pacientes se queixam cada vez mais do
afinamento dos membros superiores e inferiores, visualização
do arcabouço vascular das pernas, e da perda do tecido
adiposo das nádegas que, por vezes, dificulta aos pacientes
ficarem sentados por muito tempo. Esta alteração
da morfologia corporal tem causado problemas sociais aos pacientes,
principalmente às mulheres que sofrem uma masculinização
de sua silhueta.
A lipoaspiração de áreas com acúmulo
de gordura, como abdome, lipomas e gibas, com lipoenxertia das
áreas atróficas, principalmente das nádegas,
tem apresentado bons resultados, mas nem sempre o paciente possui
áreas doadoras.
Há algum tempo, iniciei o preenchimento de outras áreas
corporais além da face, como região interna das
coxas, para diminuir a visualização das veias,
área ao redor dos joelhos e nádegas com o polimetilmetacrilato.
A técnica empregada tem sido retro-injeções
em rede, e o resultado estético tem sido muito bom. A
consistência do preenchimento nestas áreas é
muito boa também. As únicas considerações
a serem feitas, a princípio, são sobre o grande
volume a ser empregado, 20 a 40ml por sessão, e o número
de sessões, duas a quatro por área, tornando o
procedimento caro e acessível somente a poucos.
Márcio Serra é médico
dermatologista, membro da Câmara Técnica de Aids
do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj
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Neuropatia
Periférica  |
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É uma síndrome de perda
sensorial, atrofia e fraqueza muscular, e decréscimos
nos reflexos profundos, sintomas vasomotores, sozinhos ou em
combinação. Estes podem ocorrer com a doença
em um único nervo (mononeuropatia),
2 ou mais nervos em áreas separadas (mononeuropatia
múltipla) ou muitos nervos simultaneamente (polineuropatia).
O axônio (diabetes, uremia, agentes tóxicos) ou
a bainha de mielina/células de Schwann (leucodistrofias,
polineuropatia inflamatória crônica e aguda), podem
ser os locais primários de lesão. Podem ser afetados
pequenas fibras mielinizadas, causando perda primária
da temperatura e sensação de dor ou fibras grandes,
causando defeitos proprioceptivos ou motores. Algumas neuropatias
(chumbo, dapsona, tiques, porfiria, síndrome de Guillain-Barré)
envolvem primariamente fibras motoras, enquanto outras afetam
principalmente a raiz dorsal de gânglios ou fibras sensoriais,
produzindo sintomas sensoriais (ganglionite de raiz dorsal,
devido ao câncer, lepra, AIDS, diabetes e intoxicação
crônica por piridoxina). Ocasionalmente, os nervos cranianos
também são envolvidos (Guillain-Barré,
diabetes melito, difteria). Conhecer as modalidades particularmente
envolvidas, auxilia os médicos a determinar a causa,
embora algumas neuropatias permaneçam não diagnosticadas.
AIDS sempre deve ser considerada em casos precariamente explicados,
ocorrendo em áreas epidêmicas. |
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Etiologia |
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Trauma é a
causa mais comum de lesão localizada em um único
nervo. Paralisia devido à pressão
usualmente afeta os nervos superficiais (ulnar, radial e peroneal)
em proeminências ósseas (p. ex., durante o sono
profundo ou anestesia em pessoas caquéticas ou magras
e freqüentemente em alcoólatras) ou em canais
estreitos (p. ex., em neuropatias compressivas, como a do
nervo mediano na síndrome do túnel cárpico).
A paralisia devido à pressão pode ser resultante
de tumores, hiperosteose óssea, aparelho de gesso,
esmagamentos ou posturas prolongadas conduzindo a cãibra
(p. ex., em jardinagem).
A atividade muscular violenta ou superextensão
forçada de uma articulação pode
produzir uma neuropatia focal, como também pequenos
traumas repetidos (escultores que seguram pequenas ferramentas
mecânicas, ou operador de martelo de ar comprimido,
por vibração excessiva). A hemorragia
para um nervo e exposição ao frio ou
radiação podem causar neuropatias.
Mononeuropatia múltipla usualmente
é secundária a distúrbios do colágeno
vascular (poliarterite nodosa, LES, esclerodermia, sarcoidose,
e AR), doenças metabólicas (diabetes melito),
ou doenças infecciosas (doença de Lyme, HIV).
Microrganismos podem causar mononeuropatias
por invasão direta do nervo (p. ex., lepra).
Polineuropatia com doença febril aguda pode ser devido
à toxina (difteria) ou a uma reação auto-imune
(síndrome de Guillain-Barré); a polineuropatia
que algumas vezes acompanha as imunizações também
provavelmente é auto-imune.
Os agentes tóxicos geralmente causam
uma polineuropatia, mas algumas vezes uma mononeuropatia.
Estes incluem emetina, hexobarbital, barbital, clorobutanol,
sulfonamidas, fenitoínas, nitrofurantoínas,
os alcalóides da vinca, metais pesados, CO, triortocresilfosfato,
ortodinitrofenol, muitos solventes e outros tóxicos
industriais.
A deficiência nutricional e distúrbios
metabólicos podem resultar em polineuropatia.
A deficiência de vitaminas B freqüentemente é
uma causa (p. ex., alcoolismo, beribéri, anemia perniciosa,
deficiência de piridoxina induzida por isoniazida, síndromes
de malabsorção e hiperemese gravídica).
Também ocorrem polineuropatia em hipotireoidismo, porfiria,
sarcoidose, amiloidose e uremia. O diabetes melito causa várias
formas de neuropatia: polineuropatia distal sensorimotor (mais
comum), mononeuropatia múltipla e mononeuropatia focal
(p. ex., nervos cranianos oculomotores e abducentes).
Neoplasias malignas podem causar uma polineuropatia
secundária a uma gamopatia monoclonal (mieloma múltiplo,
linfoma) ou invasão amilóide dos próprios
nervos e/ou deficiências nutricionais.
Sintomas, Sinais e Formas Clínicas
Mononeuropatia, única e múltipla,
é caracterizada por dor, fraqueza e parestesia na distribuição
do nervo afetado. A mononeuropatia múltipla é
assimétrica, e todos os nervos afetados podem ser envolvidos
desde o início ou progressivamente. O envolvimento
extensivo de muitos nervos pode simular uma polineuropatia.
Neuropatias de compressão e estiramento
resultam do compromisso mecânico de um nervo. Paralisia
de nervo ulnar freqüentemente é causada
por trauma para o nervo no sulco ulnar do cotovelo, devido
a apoio repetido no cotovelo ou por crescimento ósseo
assimétrico após uma fratura na infância
("paralisia ulnar tardia"). A compressão
do nervo ulnar também pode ocorrer no túnel
cubital. Há parestesias e deficiências sensoriais
no 5º e na metade lateral do 4º dedo, mais fraqueza
e atrofia do adutor do polegar abdutor do 5º dedo e músculos
interósseos. A paralisia ulnar crônica, grave
produz uma deformidade do tipo "mãos em garra".
Estudos precisos de condução nervosa identificam
o local da lesão. Deve ser aplicado o tratamento conservativo
porque o reparo cirúrgico nunca é bem-sucedido.
A síndrome do túnel cárpico
resulta de compressão do nervo mediano na face volar
do punho, entre os tendões longitudinais dos músculos
do antebraço que flexionam as mãos e o ligamento
cárpico superficial transverso. Essa compressão
produz parestesia na face radial-palmar da mão, mais
dor no punho, na palma, ou algumas vezes proximal à
compressão no antebraço e ombro. A dor pode
ser mais intensa à noite. A deficiência sensorial
na face palmar dos 3 primeiros dígitos e/ou fraqueza
e atrofia nos múltiplos controladores da abdução
do polegar seguido de aposição. A síndrome
é relativamente comum, pode ser uni- ou bilateral e
ocorre mais freqüentemente em mulheres. Está particularmente
associada com ocupações que requerem a flexão
forçada e repetida do punho, e também com acromegalia,
mixedema e alterações fluídicas da gravidez.
A principal distinção para ser feita é
de compressão de raiz de C-6 devido à radiculopatia
cervical.
Tratamento - Deve ser interrompido a execução
de tarefas que requeiram a flexão forçada do
punho. Virado auxilia a aliviar a dor durante a noite e tira
a pressão do nervo por um tempo limitado. Infiltrações
locais de corticosteróides, ocasionalmente, trazem
um alívio temporário. Se os sintomas continuam
ou progridem, a descompressão cirúrgica do nervo
mediano no punho é requerida.
Paralisia de nervo peroneal usualmente é
causada por compressão do nervo contra a face lateral
do pescoço fibular. É mais comum em pacientes
confinados ao leito, edemaciados e em pessoas magras que habitualmente
cruzam as pernas. Há presença de fraqueza devido
à dorsiflexão e eversão do pé
(pés caídos). Ocasionalmente, é encontrado
uma deficiência sensorial sobre a face ântero-lateral
da parte inferior da perna e dorso do pé ou no espaço
do tecido entre o 1º e o 2º metatarso.
Paralisia de nervo radial ("paralisia
do sábado à noite") é causada pela
compressão do nervo contra o úmero - p. ex.,
o braço permanece pendido sobre as costas de uma cadeira
durante intoxicação ou sono profundo. Os sintomas
incluem fraqueza do punho e extensores dos dedos (punho caído),
e ocasionalmente, perda sensorial sobre a face dorsal do 1º
músculo dorsal interósseo.
O local da lesão nervosa pode ser identificado pelo
sinal de Tinel, uma parestesia distal na distribuição
do nervo que é desencadeada por percussão sobre
o local da compressão. Os estudos de condução
nervosa e eletromiografia são mais úteis na
localização.
A polineuropatia é relativamente simétrica;
sensorial, motora e as fibras vasomotoras freqüentemente
estão envolvidas simultaneamente. A forma mais comum
de polineuropatias, observadas em doenças metabólicas
(p. ex., diabetes melito, insuficiência renal, desnutrição),
se desenvolve lentamente, freqüentemente após
meses ou anos; usualmente inicia-se com anormalidades sensoriais
nas extremidades inferiores. As anormalidades usualmente são
mais graves na região distal que proximal. Freqüentemente,
há proeminência de sensações vibratórias,
deficiências na propriocepção, dor em
queimação, torpor, e formigamento periférico.
Freqüentemente, a dor piora à noite e pode ser
agravada pelo tato da área afetada ou por alterações
de temperatura. Em casos graves, pode ser demonstrado sinais
objetivos de perda sensorial, tipicamente com distribuição
em dedos de luva. O tendão de Aquiles e outros reflexos
profundos do tendão estão diminuídos
ou ausentes. Podem ser observadas úlceras indolores
nos dígitos de Charcot quando a perda sensorial é
profunda. A deficiência proprioceptiva ou sensorial
pode conduzir a anormalidades de marcha. O envolvimento motor
resulta em fraqueza de músculos distais e atrofia.
O sistema nervoso autônomo pode ser adicionalmente ou
seletivamente envolvido, conduzindo a diarréia noturna,
incontinência intestinal e vesical, impotência,
ou hipotensão postural. Os sintomas vasomotores são
variáveis. A pele pode ser mais pálida e seca
que o normal ou pode haver excesso de sudorese e/ou descoloração
fusca. As alterações tróficas são
comuns em casos prolongados e graves; elas consistem de pele
lisa e brilhante, de unhas serrilhadas ou escavadas, e osteoporose.
Não comumente, pode ser observado uma polineuropatia
sensorial que inicia com parestesia e dor periférica
que apresenta uma progressão central para a perda de
todas as formas de sensação. Isso ocorre como
um efeito remoto de carcinoma, especialmente broncogênico,
após megadose de intoxicação com piridoxina
(B6), em amiloidose, hipotireoidismo, mieloma e uremia.
Diagnóstico
A neuropatia é um sintoma mais complexo que a própria
doença, e a causa deve ser investigada. Podem ser encontrados
indícios de um distúrbio sistêmico no
exame físico ou na história. Estes incluem erupção
cutânea, úlceras cutâneas, fenômeno
de Raynaud, perda de peso, febre, linfadenopatia ou lesões
em massa.
Os achados laboratoriais freqüentemente
são úteis. O hemograma pode revelar megaloblastos
de anemia perniciosa ou hemácias pontilhadas de intoxicação
por chumbo. Os testes anormais de função hepática
e a fosfatase alcalina pode sugerir uma neoplasia maligna
de base. Glicose e creatinina no sangue podem sugerir um diagnóstico
de insuficiência renal ou diabetes melito. A urina deve
ser checada para porfirinogêneos, porfobilinogêneos
e metais pesados.
Proteínas séricas anormais e imunoeletroforese
podem dar suporte a um diagnóstico de neuropatia associada
a mieloma múltiplo ou gamopatia monoclonal. Crioglobulinas
ou fixações de complemento devem ser checadas
da forma adequada. A função tireóide
deve ser avaliada, incluindo o hormônio tireóide
estimulante, em pacientes com síndrome do túnel
cárpico.
Eletromiografia (EMG) e testes de
velocidade de condução nervosa auxiliam
a confirmar a neuropatia e a documentar o envolvimento específico
do nervo e o tipo predominante de fibra envolvida (sensorial,
motora). Lesões desmielinizantes diminuem as conduções
nervosas e o bloqueio desmielinizante focal pode ser documentado.
Um processo axonal causa atividade espontânea no EMG
juntamente com baixa amplitude de respostas evocadas, e velocidades
de condução relativamente preservada nos estudos
de condução nervosa. Em síndrome do túnel
cárpico, a condução lenta atravessa o
ligamento cárpico, prolongando a latência do
abdutor pollicis brevis ou bloqueando juntamente. A latência
sensorial distal é similarmente mais extensa. As latências
distais sensoriais e motoras ulnares devem ser normais no
mesmo braço. A biópsia muscular,
algumas vezes, pode prover o diagnóstico específico
(triquinose, sarcoidose, poliarterite). Raramente, são
indicadas biópsias de nervos surais.
Prognóstico e tratamento
O tratamento do distúrbio sistêmico (diabetes,
insuficiência renal, mieloma múltiplo ou tumor)
pode interromper a progressão e melhorar os sintomas,
mas a progressão é lenta. As lesões traumáticas
com a transecção completa do nervo requerem
aposição cirúrgica. As neuropatias podem
requerer injeções de corticosteróides
ou descompressão cirúrgica. A fisioterapia e
imobilizações podem reduzir a probabilidade
ou a gravidade de contraturas.
Síndrome De Guillain-Barré
(Polineuropatia Aguda; Polirradiculite Aguda; Polineuropatia
Idiopática Aguda ou Infecciosa; Polirradiculoneuropatia
Desmielinizante Segmentar Aguda)
É uma forma usualmente rapidamente progressiva, aguda
de polineuropatia inflamatória caracterizada por fraqueza
muscular e perda sensorial distal leve, que em cerca de dois
terços das vezes inicia 5 dias a 3 semanas após
um distúrbio infeccioso banal, cirurgia ou imunização.
A síndrome de Guillain-Barré (SGB)
é a neuropatia desmielinizante adquirida, mais freqüente.
A causa é desconhecida, embora uma
base auto-imune possa ser provável. Histologicamente,
áreas focais de desmielinização segmentar
com infiltração endoneural e perivascular de
linfócitos e monócitos são dispersadas
ao longo de nervos periféricos, raiz e nervos cranianos.
Em lesões graves, a degeneração axonal
acompanha a desmielinização segmentar.
Sintomas e Sinais
Fraqueza relativamente simétrica acompanhada por parestesia
usualmente inicia-se nas pernas e progride para os braços.
A fraqueza é sempre mais proeminente que os sinais
e sintomas sensoriais, e pode ser mais proeminente em local
proximal. Os reflexos profundos do tendão estão
perdidos. Usualmente, os esfíncteres são poupados.
Mais de 50% dos pacientes gravemente acometidos apresentam
fraqueza de músculos orofaríngeo e facial, e
5 a 10% requerem intubação para insuficiência
respiratória. A disfunção autônoma,
incluindo flutuações de PS, secreção
inapropriada de ADH, arritmias cardíacas e alterações
pupilares ocorrem em pacientes mais gravemente envolvidos.
A paralisia respiratória e os defeitos autônomos
podem acarretar risco de vida. Apesar dos avanços no
cuidado respiratório, até 5% dos pacientes morrem;
90% dos pacientes alcançam seu grau máximo de
fraqueza em 3 semanas, e a maioria entre estes em 2 semanas.
Numa variante não usual de polineuropatia idiopática
aguda, os pacientes podem desenvolver apenas oftalmoparesia,
ataxia e arreflexia. É importante esses casos descartar
miastenia grave, deficiência aguda de tiamina e, raramente,
botulismo.
Diagnóstico
O diagnóstico de SGB aguda é baseado na síndrome
clínica. As investigações laboratoriais
incluem aumento de proteínas sem aumento de células
no LCR. As anormalidades eletrofisiológicas sustentam
o diagnóstico, mas as últimas são dificilmente
necessárias em casos típicos. Dois terços
dos pacientes apresentam velocidades de condução
nervosa lentas e evidência de desmielinização
segmentar no início. As latências de ondas F
evidenciam a desmielinização proximal e tendem
a ser prolongadas. Mononucleose anterior ou infecções
por citomegalovírus, coqueluche ou rubéola podem
ser excluídas por testes sorológicos apropriados
, mas não alteram o prognóstico.
Diagnóstico diferencial incluem toxinas
que atuam na junção neuromuscular (p. ex., fosfatos
orgânicos e botulismo. Ocorre poliomielite aguda em
epidemias que produzem febre, mal-estar, e pleocitose no LCR.
Há estudos sorológicos disponíveis. A
infestação de carrapato no couro cabeludo causa
uma neuropatia motora ascendente aguda, principalmente em
crianças. Os reflexos profundos do tendão estão
perdidos e as sensações são normais.
A remoção do carrapato resulta em resolução
de todos os sintomas.
Prognóstico e Tratamento
A polineuropatia grave aguda é uma emergência
médica, requerendo monitoração constante
e assistência vigorosa às funções
vitais. As vias aéreas devem ser mantidas claras e
a capacidade vital deve ser medida freqüentemente, de
maneira que se necessário, a respiração
possa ser assistida. A ingestão de fluidos deve ser
o suficiente para manter um volume urinário de pelo
menos 1 a 1,5L/dia; os eletrólitos séricos devem
ser monitorados para prevenir intoxicação hídrica.
As extremidades devem ser protegidas de trauma e da pressão
das roupas de cama. O calor auxilia no alívio da dor
e permite uma fisioterapia precoce. A imobilização
pode causar anquilose e deve ser evitada. Uma série
completa de movimentos articulares passivos deve ser imediatamente
iniciada, e os exercícios ativos devem iniciar quando
os sintomas agudos apresentarem remissão. Pode ser
benéfico a administração de 5.000u, de
heparina, s.c. enquanto o paciente estiver confinado ao leito.
Corticosteróides pioram os resultados
em SGB e não devem ser utilizados. Plasmaferese
tem se revelado benéfico quando conduzido no início
da doença, e é o tratamento de escolha em pacientes
agudamente doentes com SGB. É um procedimento relativamente
seguro que reduz o curso da doença, diminui a mortalidade,
diminui a incidência de paralisia permanente, e abrevia
a hospitalização.
É usual uma melhora considerável por um período
de meses; cerca de 30% dos adultos apresentam fraqueza residual
em 3 anos, e a porcentagem é maior em crianças.
O defeitos residuais podem requerer treinamentos, aparelhos
ortopédicos ou cirurgia. Cerca de 10% dos pacientes
recidivam após uma melhora inicial e entram num estado
crônico (polineuropatia recidivante crônica).
A patologia e os dados laboratoriais são similares
aos casos agudos, mas a fraqueza pode ser mais assimétrica
e progredir mais lentamente. Eventualmente, os nervos se tornam
palpáveis devido a episódios repetitivos de
desmielinização e remielinização
segmentar. No estado crônico, corticosteróides
melhoram a fraqueza, podendo ser necessário terapia
prolongada. Agentes imunossupressores (azatioprina) e plasmaferese
beneficiam alguns pacientes.
Hipertensão
O que é hipertensão?
| Hipertensão
é o termo médico usado para pressão arterial
elevada. É definida no adulto como uma pressão
arterial maior que 140 mmHg para pressão sistólica
e 90 mmHg para pressão diastólica.
Quando uma pessoa tem hipertensão, os seu vasos
sanguíneos se contraem e diminuem, forçando
o coração a trabalhar mais para movimentar o
sangue através do corpo. Este processo pode
facilitar o depósito de gordura (colesterol)
nas paredes das artérias, levando à arteriosclerose
e eventualmente infarto e derrame. |
|
A hipertensão é conhecida como assassino
silencioso, pois normalmente não dá sintomas. Em alguns
casos, a pessoa hipertensa pode sentir dor de cabeça,
tontura ou um mal-estar, mas muitas vezes quando a
pessoa sente alguma coisa, a pressão alta já danificou
o seu organismo.
O que é pressão arterial?
Todos nós temos uma pressão arterial. O sangue, ao
ser bombeado pelo coração através das artérias, cria
uma força contra a parede das artérias. A resistência
que a parede das artérias oferece é que determina
a sua pressão arterial.
A pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio
(mmHg) e é dada por 2 números. O número maior refere-se
ao momento que o coração está bombeando o sangue (pressão
sistólica) e o número menor refere-se ao momento em
que o coração está em repouso (pressão diastólica).
A pressão arterial varia durante o dia e também conforme
atividades que exercemos, como por exemplo, exercícios
físicos.
Como se mede a pressão arterial?
A pressão arterial é medida com um aparelho chamado
esfigmomanômetro e só deve ser realizada por seu médico
ou profissional da área de saúde de sua confiança.
Como saber se tenho hipertensão?
O melhor meio é procurar um médico para checar a medida
de sua pressão arterial, e diagnosticar qualquer alteração
precocemente. Lembre-se de realizar estas medidas
a cada ano. Se você tem algum fator de risco para
desenvolver hipertensão ou doença cardíaca, este intervalo
deve ser menor, a cada 3 meses.
Como se faz o diagnóstico de hipertensão?
O diagnóstico é feito se a sua pressão estiver acima
de 140/90 mmHg. O seu médico somente dirá que você
tem hipertensão após 3 medidas, em 3 diferentes ocasiões,
realizadas num período de 6 meses.
|
Categoria |
Sistólica |
Diastólica |
Recomendação |
|
Ótima |
< 120 |
< 80 |
Checar a cada 2 anos |
|
Normal |
< 130 |
< 85 |
Checar a cada 2 anos |
|
Subnormal |
130-139 |
85-89 |
Checar em 1 ano |
|
Hipertensão |
|
|
|
|
Leve |
140-159 |
90-99 |
Checar em 2 meses |
|
Moderada |
160-179 |
100-109 |
Checar em 2 meses |
|
Grave |
>180 |
> 110 |
Avaliação imediata
ou em 1 semana, dependendo do quadro clínico |
O que é hipertensão do avental branco?
Algumas pessoas apresentam hipertensão apenas pelo
fato de ir ao médico, pois esta situação pode gerar
ansiedade. Esta condição é chamada de hipertensão
do avental branco
Quais são as causas da hipertensão?
Existem uma série de fatores que levam uma pessoa
a apresentar hipertensão. Alguns são inerentes, como
sexo por exemplo, e outros são modificáveis, ou seja,
podem ser controlados. Mas saiba que a hipertensão
pode atacar qualquer pessoa, nervosa ou calma, gorda
ou magra, e assim por diante.
Alguns fatores que aumentam o risco da hipertensão
Sexo
Homens têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão
que mulheres. As mulheres desenvolvem hipertensão
10 anos após os homens, mas ambos têm como principal
causa de morte, as doenças cardiovasculares.
Idade
O
risco aumenta com a idade. Os homens começam a aumentar
a pressão arterial a partir dos 45 anos e as mulheres
a partir de 55 anos.
Hereditariedade
Pessoas que têm na família, pai, filho ou irmão com
história de infarto ou derrame antes de 55 anos, ou
filha ou irmã com história de infarto ou derrame antes
dos 65 anos, têm maior risco. Apesar disto, se este
indivíduo controlar os outros fatores de risco, ele
pode reduzir o seu risco apesar do antecedente familiar.
Raça
Pessoas negras têm maior risco de desenvolver hipertensão.
Diabetes
O diabetes acelera o desenvolvimento de arteriosclerose
e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Fatores que você pode controlar
Tabagismo
Fumantes têm 2 vezes mais risco de desenvolver doença
cardiovascular que não fumantes. Converse com o seu
médico sobre a possibilidade de parar de fumar.
Exercícios
Praticar exercícios leves a moderados por 30 a 45
minutos, 3 vezes por semana, pode ajudar a reduzir
a pressão arterial.
Não se esqueça que é preciso falar antes com o seu
médico.
Dieta sem gordura e balanceada
Grande parte dos hipertensos está acima do peso ideal.
Uma dieta balanceada e a redução do peso ajudam a
reduzir a pressão arterial
Reduzir a ingestão de sal
O consumo de sal em excesso pode provocar aumento
nos níveis de pressão.
Diminuir o stress
Discuta com seu médico a melhor forma de diminuir
o stress. Procure fazer atividades que lhe deêm prazer.
É importante preservar a qualidade de vida.
Anticoncepcionais
Alguns anticoncepcionais relacionam-se com o aumento
da pressão. Se você é mulher e é hipertensa, discuta
esta questão com o seu médico.
Como posso me prevenir?
Através de uma alimentação saudável, da prática de
exercícios e da manutenção de um peso adequado, você
estará colaborando para manter a sua pressão arterial
adequada. Coma alimentos com pouco sal.
Algumas pessoas, apesar de adotarem todas estas medidas,
precisam tomar medicamentos para controlar a sua pressão.
Quais são os cuidados com a medicação?
Se o seu médico lhe receitou algum remédio, nunca
pare de tomá-lo. Estabeleça uma rotina e procure tomar
o seu remédio sempre na mesma hora, por exemplo, ao
tomar o café da manhã. Se você for viajar leve o seu
remédio junto. A sua pressão pode estar controlada
durante o uso da medicação, mas se você parar o remédio,
a pressão arterial volta a subir. Se você apresentar
alguma reação diferente com o medicamento, procure
o seu médico para que ele avalie a necessidade de
trocá-lo. Lembre-se que o tratamento da hipertensão
é por tempo indeterminado.
Fonte: Novartis
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